Brinquedos tradicionais que colorem os céus das cidades trazem preocupação para os setores de distribuição e transmissão de energia, pois em contato com a fiação causam desligamentos, com graves consequências para toda a sociedade. No início de junho, uma linha de transmissão operada pela Copel em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, foi desligada para retirada de um balão que colocava a rede em risco. O prejuízo pode chegar a R$ 3,9 milhões, valor equivalente à indisponibilidade da linha para o sistema.

A técnica de manutenção e operação, Josiane de Souza, explica que a linha afetada faz parte de um conjunto estratégico, que permite o escoamento da energia gerada por grandes usinas no Norte e Centro-Oeste, para as regiões Sudeste e Sul do Brasil. “O balão de ar quente caiu sobre uma linha que transmite energia na tensão de 500 mil volts, entre a região de Campinas e Araraquara. Tivemos 20 horas de interrupção, até que a situação pudesse ser novamente normalizada”, aponta. Neste período em que o Brasil enfrenta uma crise hídrica e que as grandes linhas de transmissão são essenciais para permitir o intercâmbio energético entre as regiões do país, a gravidade de ocorrências como essa é ainda maior.

Em 2020, a Copel registrou cinco casos envolvendo balões em suas linhas de transmissão, todos na Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná. Já nas redes de distribuição que levam a energia até os consumidores finais, as ocorrências são muito mais comuns do que se imagina: foram 1.908 casos registrados com balões na área de concessão da Copel, no ano passado. Outros 6 mil casos foram causados por outros objetos em contato com a rede, principalmente as pipas.

O gerente de segurança do trabalho da Copel, Alessandro Maffei da Rosa, alerta que, além de desligamentos, o contato destes objetos com a rede pode provocar acidentes. “Tanto no caso das pipas como dos balões, pode acontecer o dano material, com a falta de luz e até rompimento de cabos, e também o dano às pessoas, que nos preocupa ainda mais”, alerta. “É preciso que as famílias orientem as crianças a soltarem pipa somente em locais longe da rede elétrica. E que nunca tentem retirar o brinquedo, caso ele enrosque nos fios ou postes”, orienta o engenheiro.

Já soltar balão no Brasil é crime previsto no Código Penal, devido ao risco para a segurança do transporte aéreo, com previsão de pena que varia entre seis meses e 12 anos de detenção (art.261). A atividade também configura crime ambiental, com tempo de reclusão de um a três anos, além de multa (Lei nº 9.605/98).