Esportes

Meia Alex diz que time do Internacional aceita ser rebaixado

Os jogadores do Internacional, ameaçado pelo rebaixamento para a segunda divisão, repetiram nesta sexta-feira o que tinham dito na véspera. Eles acham que não há clima para jogar futebol, depois da tragédia do voo da Chapecoense na Colômbia, em que morreram 71 pessoas, incluindo 19 jogadores do clube de Santa Catarina. O meia Alex, à beira do campo de treino, foi o porta-voz dos atletas colorados.

– Vou repetir para que se compreenda totalmente. Se for o caso de acabar o campeonato, não ter partida e a gente for rebaixado, a gente vai ter que aceitar porque não fez por onde estar melhor hoje – disse.

Também nesta sexta, o diretor de futebol do Inter, Ibsen Pinheiro, disse que os pedidos dos atletas para não jogar a última rodada não refletem o posicionamento do clube.

Tragédia da Chapecoense dia IV

– Primeiro, não foi o Internacional, foram os atletas do Internacional, que por mais relevantes que sejam, não falam pelo clube, falam por si. E, segundo, não foi pedido de cancelamento, porque o cancelamento produz efeitos que ninguém pode imaginar quais sejam. O que os atletas disseram é que não se sentem em condições de entrar em campo – afirmou o dirigente à Rádio Gaúcha.

Nas redes sociais torcedores colorados se manifestaram e reclamaram da diretoria do clube. A onda de reações negativas começou quando o vice-presidente de futebol, Fernando Carvalho, reclamou do adiamento da última rodada do Brasileiro, de 4 para 11 de dezembro, decidido pela CBF depois do desastre aéreo que vitimou a delegação da Chapecoense. Carvalho foi infeliz ao usar a palavra “tragédia” para definir a situação do time na tabela. Depois, pediu desculpas. Em seguida o presidente Vitório Píffero falou em não jogar a última rodada. Mas falou em “campeonato incompleto”, o que daria uma brecha para uma eventual contestação sobre o rebaixamento. Ao ser indagado sobre aceitar cair para a Série B, respondeu que não via “esta como a melhor solução”.

“Sou colorado e digo que o Sport Club está tendo um ato ridículo… Meu time está me fazendo passar mais vergonha do que ser rebaixado”, escreveu um torcedor identificado como Alexey Ribeiro, em um espaço para comentários na página do Internacional no Facebook. Outra torcedora, Daniela Carlesso, foi também veemente na crítica: “Que encerrem esse campeonato de uma vez por todas e que pessoas como Fernando Carvalho aprendam a ter um pouco mais de compaixão e amor pelo próximo! Essa diretoria não representa a torcida colorada”. Outro internauta, Anderson Borges, comentou na página do Inter no Facebook: “O Sport Club Internacional se tornará o time mais odiado do Brasil, se aproveitando de um momento trágico para não ser rebaixado”.

inter 2.jpgNa quinta, quase ao mesmo tempo em que os jogadores do clube davam entrevista sobre não jogar a últimarodada, o Internacional ingressou no STJD alegando ter novas provas acerca de uma suposta irregularidade na inscrição do zagueiro Victor Ramos, do Vitória, também na luta contra o rebaixamento. Caso seja comprovada a irregularidade, o clube baiano perderá pontos, e o Inter ficará livre da queda para a Série B.

Sobre o posicionamento público de seus jogadores, o Inter divulgou nota oficial dizendo que “em nenhum momento expressou qualquer proposta que afetasse a competição.”

A NOTA NA ÍNTEGRA:

“Os atletas profissionais do Sport Club Internacional manifestaram publicamente seu profundo sentimento de dor e solidariedade diante da fatalidade que atingiu a Chapecoense, o futebol brasileiro e toda a comunidade esportiva no mundo inteiro, e o fizeram em seu próprio nome, com o protagonismo que suas relações profissionais asseguram, num Clube que historicamente os respeita como os principais agentes do futebol, juntamente com o torcedor, sem discriminação de qualquer espécie.

A direção do Internacional compreendeu e respeitou a manifestação de seus profissionais, e o fez pela palavra de seu Presidente, mas em nenhum momento expressou qualquer proposta que afetasse a competição.

O Internacional reafirma seu compromisso com a legalidade e os fundamentos morais de toda competição, o que faz com o mesmo respeito que merecem os resultados de campo, sejam os desfavoráveis, como os mais recentes, sejam as imensas conquistas da sua história. Qualquer que seja o caminho a que nos destinem os próximos resultados, o Internacional o percorrerá com a sua invariável dignidade.”