
? Esse patrocinador (a orquestra prefere não divulgar o nome da empresa) está conosco há muitos anos e sempre foi um porto seguro. Mas ele nos comunicou que não teve lucro real, que é um requisito para se valer da renúncia fiscal. Então, eu fiz uma reunião de emergência com os conselheiros e os associados da Bachiana Brasileira, e a solução sugerida foi um crowdfunding. Só uma pessoa era contra: eu mesmo. Eu não queria repassar essa responsabilidade à sociedade, mas pensei melhor, vi que até o grande maestro inglês John Eliot Gardiner já recorreu a esse expediente e mudei de ideia ? conta Rocha, que regerá seu primeiro concerto do ano no dia 28 de setembro, na série Quartas Clássicas do BNDES (cujas atrações são escolhidas por edital e têm seus custos arcados pelo banco), com a Bachiana Brasileira em formação de câmara.
Já para a apresentação sinfônica de outubro, Rocha precisa de 36 vozes no coro e 24 músicos na orquestra, para interpretar o ?Concerto de Brandemburgo nº 5? e a cantata ?Christ lag in Todesbanden?, ambos de Bach, as ?Bachianas brasileiras nº 9?, de Villa-Lobos, e o concerto para violoncelo e orquestra de cordas de Marcos Lucas. A solista convidada foi escalada para essa última obra e também para tocar a suíte para violoncelo solo nº 1 de Bach. Além disso, ela dará masterclasses para jovens participantes de dois programas socioculturais, o Aprendiz, de Niterói, e o Projeto Som + Eu, do Morro da Providência.
A campanha de crowdfunding ? feita pelo site benfeitoria. com/bachiana, até o dia 21 de setembro ? levantou por enquanto R$ 12.540, pouco mais de um quinto da meta (de R$ 57 mil). Além dos gastos com os artistas, há os de produção, que vão de aluguel do local de ensaios até transporte dos músicos, aluguel de partituras e impostos. Em troca das doações, a Bachiana oferece recompensas como ingressos e até um quadro de moedas comemorativas da Olimpíada Rio-2016.
? O programa desse concerto, com música alemã e de compositores brasileiros, é semelhante ao do concerto de estreia da orquestra, que se chamava então Sociedade Musical Bachiana Brasileira ? lembra o maestro, que estudou regência na Alemanha e se especializou no repertório germânico. ? Um concerto clássico não atende a uma lógica de mercado, não é como um espetáculo musical que faz temporada e sai em turnê, por isso é muito mais difícil captar patrocínios, e o Estado, que deveria assumir essa tarefa, a transferiu para a iniciativa privada. Nós, músicos clássicos, ficamos num limbo.