
Cascavel - O mercado do boi em 2025 apresenta sinais positivos para os produtores, refletindo uma recuperação que começou no segundo semestre de 2024. O preço da arroba do boi registrou uma alta significativa, impulsionada pela melhoria nas condições do mercado global e pelos ajustes econômicos internos. “Tivemos uma alta bastante significativa a partir da metade do ano passado e isso ainda está refletindo“, diz o presidente da Padrão Beef, agropecuarista Lindonez Rizzotto, destacando a continuidade dos efeitos dessa valorização.
Na região Oeste, o preço da arroba do boi oscila entre R$ 308 e R$ 315, uma recuperação considerável se comparada ao início de 2024, quando os valores estavam baixos, em torno de R$ 220 no começo do ano anterior. Rizzotto observa que, no segundo semestre, o preço reagiu chegando ao patamar de R$ 330, gerando um ajuste nas contas do produtor por consequência do elevado custo dos insumos. Esse seria um dos motivos da recuperação e o impacto dessa alta nos números do setor.
Este cenário de melhoria dos preços marca o início de 2025, um ano que começou com o mercado mais estabilizado. No entanto, as margens ainda não são as ideais para muitos produtores. As expectativas são de que o mercado se mantenha no azul, mas a competição e os custos elevados continuam sendo desafios que exigem uma gestão estratégica. “O desafio é o de ter um ano favorável em relação ao mercado do boi, porém, com a margem ainda não adequada“, afirma Rizzotto, refletindo sobre as condições atuais e o cenário desafiador para o agropecuarista brasileiro.
Demanda e tecnologia
A demanda por carne bovina brasileira segue crescente, consolidando o país como líder mundial nas exportações desse produto. Em 2024, o Brasil superou os Estados Unidos, tornando-se o maior exportador de carne bovina in natura. O Brasil, com uma estimativa de 220 milhões de cabeças de gado, ultrapassou os Estados Unidos, detentor de 90 milhões de cabeças de gado, destacando a capacidade do Brasil de suprir uma demanda global em expansão.
O presidente da Padrão Beef observa que a tecnologia no campo tem sido um diferencial importante nesse crescimento: “A nossa tecnologia está melhorando e consequentemente, o nosso produtor tem conseguindo obter melhores resultados no campo, ao utilizar as ferramentas disponíveis dentro do contexto de inovação“.
Exportação
O Brasil exportou, no ano passado, 10 milhões de toneladas de carne bovina in natura. Hoje, são exportadas 2 mil toneladas por dia. A expectativa para 2025 é de um aumento de 6,3% nas exportações, reflexo da crescente procura por carne bovina brasileira nos mercados internacionais. Os destinos mais relevantes para essa carne são os países do Oriente Médio, Europa e também os Estados Unidos, com destaque para a diversificação de mercados consumidores. A ampliação das exportações de carne tem gerado um cenário de otimismo, especialmente no setor produtivo que se beneficia dessa dinâmica global.
Embora o preço da arroba tenha apresentado uma melhoria significativa, há variações regionais que refletem as diferentes realidades do mercado interno. Em São Paulo, um dos maiores consumidores de carne bovina do País, o valor da arroba chega a ser mais alto, entre R$ 320 e R$ 325, devido à forte demanda local e à posição estratégica do estado. Já em Mato Grosso, que se destaca como um dos maiores produtores, o preço da arroba chega a R$ 315, mantendo-se estável e alinhado com o preço médio nacional. Em Mato Grosso do Sul, o valor também é significativo, entre R$ 310 e R$ 315, refletindo o crescimento da produção e a competitividade do setor na região.
Essas flutuações regionais são influenciadas não apenas pela demanda interna, mas também pela infraestrutura e logística de cada estado, que impactam diretamente no preço da carne. A dinâmica entre oferta e demanda, aliada à produtividade dos estados, resulta em valores variados, mas todos dentro de uma faixa relativamente equilibrada, considerando os custos de produção e os preços do mercado internacional.
Desafios
Apesar dos bons números, o setor enfrenta desafios significativos, como o alto custo dos insumos e a necessidade de constante inovação tecnológica para se manter competitivo no mercado global. A alta nos preços da arroba do boi no segundo semestre de 2024, trouxe alívio para os produtores, mas a margem de lucro ainda não é ideal para muitos, especialmente diante da elevação dos custos com ração, insumos veterinários e outros recursos essenciais para a produção.
Para muitos, o sucesso depende da capacidade de ajustar as contas e adotar tecnologias que aumentem a produtividade, o que tem sido um diferencial para os produtores mais inovadores. No entanto, a competitividade no mercado externo continua a ser um fator positivo, com a tendência de crescimento das exportações de carne bovina, o que se traduz em mais oportunidades para o setor.
Ao falar sobre o panorama atual, Lindonez Rizzotto sintetiza o pensamento do setor: “O ano de 2025 será de mais desafios, mas também de oportunidades, principalmente com o crescimento das exportações e o aumento da demanda por carne bovina”, conclui o agropecuarista, demonstrando otimismo comedido.
Em suma, o mercado do boi em 2025 tem boas perspectivas, com o preço da arroba em ascensão, a demanda externa crescente e a inovação tecnológica no campo como um dos maiores aliados do produtor. No entanto, ainda há muito a ser feito para garantir margens mais favoráveis e consolidar o Brasil como líder mundial em exportação de carne bovina.