Deputado Pedro Lupion critica o governo federal em relação à FPA e os problemas do setor agropecuário brasileiro - Foto: Vandré Dubiela / O Paraná
Deputado Pedro Lupion critica o governo federal em relação à FPA e os problemas do setor agropecuário brasileiro - Foto: Vandré Dubiela / O Paraná

Cascavel e Paraná - O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), fez duras críticas ao governo federal em entrevista concedida à equipe de reportagem do Jornal O Paraná, durante o 38º Show Rural Coopavel. Ele afirmou que o principal problema enfrentado pelo setor agropecuário brasileiro hoje está em Brasília. “A falta de crédito, os entraves ao seguro rural e a insegurança jurídica têm comprometido a previsibilidade necessária ao produtor rural”, disparou.

“O principal problema do agro é o governo que nós temos lá em Brasília. Os caras que jogam contra a gente não respeitam minimamente o produtor, não dão crédito, não resolvem a questão do seguro, não liberam os recursos, garantem um problema seríssimo de instabilidade jurídica e insegurança jurídica para os nossos produtores”, declarou Lupion.

De acordo com o parlamentar, a atuação da FPA tem sido marcada por embates constantes com o Executivo. “Isso nos motiva a estar brigando todos os dias para defender os interesses dos nossos produtores”, afirmou.

Vetos e prioridades

Entre as pautas consideradas urgentes pela bancada ruralista em 2026 está a derrubada de vetos presidenciais. Lupion citou como prioridade o veto ao contingenciamento de recursos do seguro rural. “Missões imediatas: derrubar o veto do contingenciamento do seguro agrícola, o governo vetou isso”, disse.

O seguro rural é apontado pelo setor como ferramenta essencial para garantir proteção ao produtor diante de perdas climáticas e oscilações de mercado. Para a FPA, a limitação de recursos compromete a sustentabilidade da atividade, especialmente em um cenário de eventos climáticos extremos mais frequentes.

Outro ponto destacado pelo presidente da Frente é o financiamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “E também o financiamento da Embrapa, que foi vetado pelo governo”, criticou. A estatal é responsável por pesquisas que impulsionaram a produtividade no campo nas últimas décadas e é considerada estratégica pelo setor.

Lupion também defende a derrubada do veto à regularização fundiária de imóveis em áreas de fronteira e a solução definitiva para o impasse envolvendo o marco temporal das terras indígenas. “Derrubar o veto da regularização fundiária dos imóveis de fronteira, resolver a questão do marco temporal e buscar crédito, buscar seguro, que isso é extremamente importante para que o produtor tenha condições de continuar produzindo”, afirmou.

Ambiente de insegurança

Para o presidente da FPA, o ambiente regulatório atual gera incertezas que afetam decisões de investimento. Ele sustenta que a falta de previsibilidade compromete a competitividade do agro brasileiro, responsável por parcela significativa do PIB e das exportações nacionais.

A Frente Parlamentar da Agropecuária reúne mais de 300 parlamentares entre deputados e senadores e é uma das maiores e mais influentes bancadas do Congresso Nacional. Em 2026, segundo Lupion, o foco será garantir condições mínimas de financiamento e segurança jurídica para manter o ritmo de produção.

“O produtor precisa de estabilidade para trabalhar. Sem crédito, sem seguro e com insegurança jurídica, fica impossível planejar”, reforçou.

Enquanto o embate entre Executivo e Legislativo se intensifica em torno dessas pautas, o setor produtivo aguarda definições que podem impactar diretamente a próxima safra e os investimentos no campo.