Cotidiano

Três fundos imobiliários suspendem negócios em Londres após Brexit

LONDRES – Três fundos imobiliários britânicos que valem cerca de 10 bilhões de libras anunciaram a suspensão de seus negócios em menos de 24h, um primeiro sinal de interrupção do movimento no mercado desde o referendo que definiu a saída do Reino Unido da União Europeia. Legisladores se apressaram para destacar que a paralisação ficou restrita ao setor de fundos “open-ended” no setor mobiliário, que normalmente permitem que investidores saiam conforme sua vontade, e que não significava uma questão de liquidez nos mercados.

O primeiro a suspender os negócios foi o Standard Life Investiments, de 2,9 bilhões de libras, na segunda-feira, seguido do Aviva e de seu fundo de 1,8 bilhão. O último dos três foi o fundo do M&G Investments ? o Property Portfolio, de 4,4 bilhões de libras ? que anunciou a suspensão na tarde de terça-feira, após uma corrida ao fundo por parte de investidores querendo retirar seu capital. Os três respondem por quase um terço dos 35 bilhões de libras (US$ 46 bilhões) no mercado de gestores imobiliários.

O setor recebeu alerta de risco do Banco da Inglaterra antes mesmo do referendo. A atividade financeira do setor imobiliário tem implicações amplas no sistema financeiro, já que é usado frequentemente como garantia a empresas que pedem empréstimos a bancos. Nesta terça-feira, a autarquia reduziu os compulsórios exigidos dos bancos.

Enquanto fundos ?open-ended? tendem a deter um estoque de dinheiro ou ativos similates para gerenciar resgates, no pior cenário eles poderiam virar vendedores forçados de prédios em um mercado em queda já que mais investidores tendem a renunciar. A suspensão das negociações é uma medida destinada a evitar que isso aconteça.

O chefe do órgão regulador do mercado financeiro britânico, Andrew Bailey, afirmou nesta terça-feira que a ação do Standard Life demonstrou o descompasso de liquidez que precisava ser abordado e que ele estava ?em contato próximo? com os fundos de investimento sobre a questão.

? Isso aponta para questões que precisamos olhar no desenho dessas coisas, porque isso leva ao meu ponto fundamental sobre deter ativos ilíquidos em fundos ?open-ended? que revalorizam e são exigidos para serem revalorizados ? disse Bailey, diretor executivo da Autoridade de Conduta Financeira.

Outros fundos imobiliários britânicos, como Henderson Global Investors, Aberdeen Asset Management e Kames, disseram que já cortaram o valor de seus ativos para refletir melhor os preços do mercado ou que já tomaram medidas para precificar os fundos regularmente.

BANCOS EXPOSTOS

Entre outros detendores de propriedades comerciais que poderiam ser afetados caso o mercado acabe em uma liquidação duradoura são os bancos, que estão preste a reportar seus resultados do segundo semestre nas próximas semanas.

O Royal Bank of Scotland tem ativos imobiliários de 25,24 bilhões de libras; o Lloyds, de cerca de 12,7 bilhões e o Barclays, cerca de 11,6 bilhões de libras, segundo relatórios financeiros do fim de 2015.

Investidores assutados com as incertezas do mercado venderam uma série de ações do setor imobiliário nesta terça-feira, inclusive empresas imobiliárias.

? Quando fundos ?open-ended? fecham os portões, o mercado começa a ficar nervoso ? afirmou Collette Ord, analista de trustes de investimentos da Numis. ? O perigo é que, se fundos ?open-ended? tem que vender ativos em níveis afligidos, isso levará à descoberta de preços e forçará turstes a também cortar ativos.