Cotidiano

Suíça determina que um motorista de Uber é empregado da empresa

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ZURIQUE – Depois do Reino Unido, foi a vez de a Suíça colocar à prova o modelo de funcionamento do Uber que prevê que os motoristas são prestadores de serviço independentes. Uma agência suíça determinou que um motorista de Uber é um empregado da companhia, que por isso deve pagar contribuições para a seguridade social.

Este é o mais recente movimento de embate entre o Uber e governos no mundo, que acusam a startup de tentar burlar a legislação trabalhista nos países em que atua. Em outubro, Justiça britânica acatou a denúncia de dois motoristas da Uber que denunciaram a plataforma de transporte por não respeitar a legislação trabalhista. Os condutores que fizeram a denúncia reclamavam de não tirarem férias, não ter direito a indenizações em caso de problemas de saúde ou salário mínimo garantido pelas leis trabalhistas da Grã-Bretanha.

A agência suíça ? que é responsável pelo pagamento de indenizações no caso de acidentes de trabalho ? determinou que um motorista do Uber era funcionário porque ele enfrentaria consequências se não cumprisse as regras da empresa, além de não poder determinar preços nem métodos de pagamento, segundo o canal de televisão SRF.

A agência confirmou à Reuters a decisão, mas disse que se tratava de um motorista em particular, que buscava esclarecer seu status, e não uma determinação frente ao modelo de negócios do Uber.

?Para nós, não se trata da companhia, mas da pessoa envolvida?, disse o porta-voz da agência.

Em comunicado, no entanto, a empresa informou que vai desafiar a decisão da Suíça. Gerente geral do Uber, Rasoul Jalali, reafirmou que os motoristas são independentes.

?Empresas de táxi lidaram exatamente com essa questão por anos e até hoje não há um motorista empregado por uma grande companhia em cidades como Zurique ou Genebra. Então não há nada novo na Suíça e vamos desafiar isso, assim como outros já fizeram. Motoristas que usam o Uber são fornecedores independentes que aproveitam toda a flexibilidade e liberdade por serem autônomos?, diz o texto do comunicado.