Cotidiano

Nível de oxigênio nos oceanos caiu 2% em 50 anos, alerta estudo

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RIO ? O esgotamento do oxigênio nos oceanos ameaça os futuros estoques de peixes e, segundo os cientistas, pode alterar o habitat e o comportamento da vida marinha. Esta é a conclusão de um estudo realizado pelo Centro Geomar Helmholtz para Pesquisa Oceânica na Alemanha.

Segundo o instituto, o nível de oxigênio no oceano caiu 2% em 50 anos. Esta queda tem sido atribuída ao aquecimento global e, se as mudanças climáticas seguirem o ritmo atual, o nível deste gás perdido nos mares pode chegar a 7% até 2100. Poucos organismos conseguiriam se adaptar a esta realidade.

O artigo analisa dados coletados entre 1960 e 2010 ? foi a primeira documentação das mudanças de distribuição de oxigênio nos oceanos.

? Como os peixes grandes evitam ou não conseguem sobreviver em áreas com baixo teor de oxigênio, as mudanças em seu nível podem ter consequências biológicas de longo alcance ? alertou Sunke Schmidtko, autor principal do estudo, ao jornal inglês “Guardian”.

Algumas áreas registram uma queda mais acentuada do que as demais. O Pacífico ? o maior oceano do planeta ? sofreu o maior volume de perdas de oxigênio, enquanto o Ártico registrou o maior declínio percentual.

? Embora a diminuição ligeira de oxigênio na atmosfera não seja atualmente considerada crítica, as perdas de oxigênio no oceano podem ter consequências de longo alcance, devido à sua distribuição desigual ? afirmou Lothar Stramma, coautor do levantamento.

É cada vez mais claro que os piores efeitos das mudanças climáticas no planeta vão se manifestar nos oceanos, que absorvem mais de 30% do carbono produzido na supercíe terrestre. O aumento do nível do mar está causando prejuízos em muitos dos lugares mais pobres do mundo. A radiação solar também ecossistemas como a Grande Barreira de Corais.

A acidificação dos oceanos ameaça a habilidade dos animais marinhos de construir suas conchas, cuja estrutura mais comum é o cálcio. O aquecimento das águas também provoca problemas reprodutivos em espécies como o bacalhau, que migram para localidades de clima mais frio. Esta busca por um local mais habitável, que também se manifesta em outras espécies, levará a impactos significativos no ecossistema e na cadeia alimentar.

Autor do livro “Ocean of life” e biólogo marinho da Universidade de York (Reino Unido), Callum Roberts afirma que o estudo alemão é mais um indicativo do aquecimento global.

? É mais um prego no caixão do ceticismo com as mudanças climáticas ? lamentou. ? A vida se tornará mais difícil para as criaturas que vivem no mar e para aqueles que dependem delas: ou seja, nós.