Cotidiano

Festival de Berlim: 'The party' desmascara atual momento político britânico

theparty.jpgBERLIM ? As máscaras do atual momento político britânico são expostas pelo viés do humor em ?The party?, comédia dramática da diretora Sally Potter, exibido nesta segunda-feira (13) na competição da 67ª edição do Festival de Berlim. A confraternização entre amigos em torno da promoção de uma administradora pública a um alto cargo no governo, é sabotada por revelações explosivas, que acabam levando a um banho de sangue.

A intensão de Janet (Kristin Scott Thomas) era apenas abrir a casa para celebrar a nomeação a um posto ministerial, ponto alto de sua carreira política. A medida em que os convivas vão chegando, no entanto, o clima do encontro toma um rumo inesperando quando Bill (Timothy Spall), marido da anfitriã, comete um punhado de inconfidências, capazes de abalar as convicções políticas do grupo, que cultiva a imagem de liberais de esquerda.

? ?The party? oferece um olhar leve e adorável de uma Inglaterra meio quebrada, partida ? resumiu Sally, conhecida por trabalhos como ?Orlando ? A mulher imortal? (1994), indicado ao Oscar nas categoria de direção de arte e figurino. ? Com este filme, quis expressar esse sentimento de ser despossuído, encontrar algo particularmente humano nessas relações.

Coestrelado por Cillian Murphy, Emily Mortimer e Patricia Clarkson, o filme foi rodado em preto e branco, ao longo de duas semanas em um único ambiente, para dar a idea de tempo real de um jantar informal entre amigos íntimos.

? Foi como atuar em uma peça de teatro ? comparou Kristin na coletiva de imprensa que se seguiu à projeção do filme. ? Senti um certo pãnico, sabendo que tínhamos apenas duas semanas de filmagem, após apenas três dias de ensaio. Tínhamos que acertar a cena de primeira, porque não havia espaço para muitas tomadas.

Por ironia do destino, as filmagens de ?The party? aconteceram no verão (no hemisfério norte) do ano passado, concomitantemente ao processo de consulta pública que resultou na saida do Reino Unido do bloco europeu.

? Metade da equipe e do elenco voltou para trabalhar aos prantos, na manhã em que foi divulgado o resultado do plebiscito ? recordou a diretora. ? Comecei a escrever o roteiro um pouco antes das eleições gerais, em um momento em que a esquerda britânica parecia estar perdendo sua haibilidade em ser sincera em relação a suas políticas. A questão central é que as pessoas estavam perdendo a capacidade de reconher o que era verdade e o que não era. Esta é a questão central de ?The party?. Os filmes brasileiros que estarão no Festival de Berlim 2017

A alegoria cedeu ao drama familiar com a exibição de ?Bright nights?, do alemão Thomas Arslan, um dos 18 candidatos ao Urso de Ouro deste ano. A trama começa em Berlim, quando o engenheiro Michael (Georg Friedrich) recebe a notícia do falecimento de seu pai, um sujeito solitário, com quem não se dava muito bem, e a quem não o via desde sua mudança de vikta oara para Dinamarca, onde nascera. Diante da recusa da irmã de comparecer ao funeral, Michael consegue convencer Luis (Tristan Gobel), o filho adolescente de seu primeiro casamento, a quem também raramente vê, a companha-lo na viagem.

Os ressentimentos entres os dois ? acumulados em anos de negligência de ambas as partes – não demoram a emergir durante os longos dias de verão pelo interior da Dinamarca, muito claros inclusive durante a noite. ?Bright nights? é um road movie emocional, sobre um pai que tentar romper um ciclo de frieza na relação entre pai e filho, agravado pela distância das gerações, recebido com pouca empolgação pela plateia de jornalistas.

? Incorporei algumas experiências pessoais minhas no roteiro, mas o filme não é uma história estritamente biográfica. A história foi influenciado também por minhas observações sobre as relações entre pais e filhos do meu círculo social ? explicou o realizador, participou da competição da Berlinale anos atrás com ?Gold? (2013). ? A bem da verdade, há poucas pessoas que conseguem evitar a repetição de erros das gerações de seus pais.

A programação do dia fechou com a projeção de ?Mr. Long?, de Sabu, coprodução entre Taiwan, China e Japão sobre a redenção de um matador de aluguel. O filme transita entre o policial violento e estilizado e a comédia dramática de apelo emotivo, sem se apegar a nenhum dos gêneros. É centrado na figura de um matador profissional de Taiwan conhecido como Mr. Long (Cheng Chang) que, ferido em uma missão fracassada, busca refúgio numa parte abandonada de uma pequena cidade do Japão.

Lá, ele encontra a ajuda do pequeno Jun (Runyin Bai), filho de Lily (Yiti Yao), jovem prostituta viciada em heroína, que lhe fornece roupas, água e comida. Em troca, Mr. Long passa a cozinhar para o garoto, e a tentar a tirar a mãe dele do vício. Logo as habilidades de cozinheiro do matador se espalha entre os moradores do bairro, que se cotizam para ajudá-lo a montar uma carrocinha de comida. É o início promissor de uma vida comunitária que, eventualmente, será perturbada por fantasmas do passado.