Política

Coluna contraponto do dia 09 de outubro de 2018

Scalco tinha razão ao prever desastre

Há exatamente um ano, no início de outubro de 2017, um dos mais lúcidos fundadores do PSDB nacional, o ex-ministro Euclides Scalco, deu uma entrevista à jornalista Maria Christina Fernandes, do jornal Valor Econômico, na qual previa que o partido estava caminhando, célere, para um velório definitivo e sem cachaça. E apontava os motivos, a começar pelo apoio a Michel Temer no Governo. Hoje, ao ver o ex-governador Beto Richa perder a vaga para o Senado e ficar em sexto lugar, com míseros 378 mil votos e não eleger nenhum deputado federal, conclui-se que as críticas de Scalco eram pertinentes e atuais. E, pior, a previsão se concretizou.

Ódio no coração

Pode ter sido um insight de momento ou mesmo uma revolta influenciada pelos ares quentes do norte do Paraná, mas é certo que o senador Alvaro Dias extrapolou o comportamento afável que o conduziu na carreira política: depois de votar em Londrina, ele disse que não vai votar no segundo turno, que chamou de “tragédia”, referindo-se à disputa entre o PT e o capitão do Exército.

Não precisa

Pela lei eleitoral, o senador que já passou do 70, poderia mesmo se eximir de colocar o voto na urna. Não é mais obrigatório pra ele. Mas por ter sido governador do Paraná e tantas vezes senador e até ter disputado a Presidência, Alvaro está cuspindo no prato em que comeu, desculpando a má referência. Foi o voto, afinal, que o fez chegar até aqui.

Vítima do Ibope

O senador Roberto Requião (MDB) explica por que foi derrotado em sua pretensão de se reeleger. Segundo Requião, esse resultado se deve a uma trama em que se envolveram o Ibope, as redes sociais que difundiram informações falsas a seu respeito, e também o PT, que, ao lançar um só candidato, indicou-o como o segundo informal em sua chapa, identificando-o como defensor do lulopetismo.

Liquidado

Em vídeo que gravou para o Facebook, Requião desenvolve seus argumentos para, ao final, desabafar: “Fui liquidado!”

Lamúrias de Beto

O ex-governador Beto Richa chamou a imprensa para coletiva no fim da manhã dessa segunda-feira (8) – o day after da derrota que sofreu na eleição para o Senado. Considerado franco favorito para conquistar a segunda cadeira (a primeira seria de Roberto Requião, mas também derrotado), Richa figurou na apuração final com apenas 3,75% dos votos.

Abandono, prisão…

Na coletiva, elogiou o próprio governo, o sucesso que teve em todas as outras eleições de que participou mas, nesta de 2018, foi vítima de traições de aliados, abandono de correligionários e, principalmente, das injustas e arbitrárias decisões judiciais que o levaram a ser preso três semanas antes da eleição.

Ibope precisa reaprender a fazer pesquisas

As eleições deste ano guardam lições importantes sobre o modo como se faz política. Castelos desmoronaram; forças desconhecidas foram subestimadas. E o resultado foi uma avalanche de novidades até há pouco tempo impensáveis. Tudo isso vai exigir tanto dos que militam na política quanto dos que analisam o cenário um modo de agir diferente, um olhar para o que parecia invisível. Mas têm de mudar também o jeito de fazer pesquisas eleitorais. O mais famoso e prestigiado instituto de pesquisas do País, o Ibope, acumulou uma série de erros que serão registrados na história. Tem alguma coisa errada nisso tudo. Ou o eleitor “engana” as pesquisas ou as pesquisas já se mostram incapazes de medir as verdadeiras tendências.