Josep Prim, cineasta e distribuidor: ‘A tela grande é insubstituível’

“Tenho 31 anos e nasci em Tarragona, Espanha. Sou formado em fotografia e cinema. Há sete anos, abri uma empresa de produção e distribuição, para promover cineastas espanhóis e latinos. Na faculdade, fazíamos filmes, mas eles nunca passavam em lugar algum. Passamos a distribui-los. Fazer um filme e escondê-lo é um desperdício.”

Unimed

Conte algo que não sei.

Nunca foi tão fácil ou tão barato fazer um filme. Por isso, o processo inteiro mudou. Antes, quando se usava película, era caro, então tudo era muito planejado e precisava sair perfeitamente. Por isso, havia muito menos experimentação durante as filmagens. Agora, você pode gravar o triplo do que esperava e tentar coisas, como misturar histórias e embaralhar a linha do tempo.

Isso torna os filmes melhores?

Não é uma regra afirmar que quanto mais você filmar, melhor o filme fica. Mas só o fato de eles terem essa chance sem gastar muito lhes dá uma liberdade muito maior. Então, é possível dizer que eles podem ficar melhores por causa disso, mas não necessariamente.

Curtas-metragens estão mais na moda atualmente?

Sim, porque são mais fáceis de assistir. Nem todos têm tempo para ficar duas horas parado. Você pode assistir a um curta enquanto espera o metrô ou quando tem vinte minutos livres.

E as mudanças na tecnologia influenciaram isso?

Sem dúvida. Existem equipamentos mais simples, mais baratos e melhores do que antigamente. Por isso, qualquer pessoa tem a possibilidade de fazer um filme. Mas, por outro lado, como é mais fácil filmar, muitas pessoas decidem fazer um longa-metragem, e os curtas ficam um pouco de lado. Para muita gente, o motivo principal de se fazer um curta-metragem é o custo. Quando ele deixa de ser um fator tão relevante, há quem prefira partir para os longas.

Acha bom que qualquer um possa fazer um filme hoje em dia? Ou isso banaliza a arte?

De certa forma, pode banalizar. Mas, há 30 anos, quando era necessário filmar em celuloide, havia muito menos filmes independentes, e eles eram muito difíceis de se assistir, só se via esses filmes em festivais. E, agora, existem milhões. O mais difícil é filtrar: a dificuldade não está mais em encontrar os curtas-metragens, mas sim encontrar os curtas-metragens bons.

E as redes sociais são boas ferramentas para curtas?

Acho boas para promover, mas, sinceramente, não acredito que sejam o melhor lugar para assistir.

Por quê?

Porque as pessoas passam muito tempo nas redes sociais, mas é muito difícil prender a atenção delas num mesmo assunto. O que provavelmente aconteceria é que a pessoa veria o documentário e diria: “Vou assistir mais tarde”. Ela, é claro, nunca assistiria. E passaria para a próxima coisa na linha do tempo.

Você trabalha com distribuição. Acha que hoje , talvez até por causa das redes sociais, os eventos off-line, como festivais, são mais valorizados, porque a experiência é diferente?

Sim. Ver um filme, curto ou longo, numa tela de cinema, com boa qualidade e profissionais que trabalharam para isso, é muito diferente… Não há problemas em colocar o filme na internet, mas é preciso ter a chance de ver o filme numa tela de verdade. A tela grande é insubstituível.

O fato de as pessoas poderem contar suas histórias mais facilmente pode ajudar a reduzir a intolerância que existe nos dias de hoje?

Sim. Alguns filmes me fizeram descobrir novas culturas e me fizeram ver as coisas de outra forma. Às vezes, vejo um filme do outro lado do mundo, e quem filmou teve uma visão diferente. Então, acabo vendo de outra maneira também.


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