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Chapecoense ressurge em tarde de emoção e empate com Palmeiras

Teve um pouco de tudo e muita emoção na tarde quente deste sábado em uma Arena Condá lotada. Ainda que a ferida jamais feche por completo, a Chapecoense, aos poucos, mostra capacidade de ressurgir. E foi justamente com o Palmeiras, o time contra o qual fez o último jogo antes da tragédia, o primeiro amistoso do time profissional, que terminou em empate de 2 a 2.

A queda do avião da Lamia em Medellín, que matou 71 pessoas, sendo 19 atletas da Chape, obrigou o time a recomeçar com a chegada de 24 jogadores. Todos cumprimentaram efusivamente no vestiário os sobreviventes zagueiro Neto, o lateral-esquerdo Alan Ruschel e o goleiro Follmann. Nas cabines, o jornalista Rafael Henzel, também sobrevivente, narrou a partida.

Antes de a bola rolar, Follmann, que teve amputada a perna direita e estava em uma cadeira de rodas, ficou com a missão de erguer a taça de campeão da Copa Sul-Americana, título concedido pela Conmebol, enquanto que os familiares das vítimas receberam medalhas.

? Para mim é importante, porque (jogar) era o que eu sabia fazer e fico emocionado, porque este carinho é de coração. A vida segue e tenho certeza que vamos fazer coisas grandes para gente e para outras pessoas. A gente quer fazer coisas grandes para outras pessoas ? disse Follmann, que ainda não recebeu alta do hospital, usava uma proteção ao redor do pescoço, mas foi liberado excepcionalmente.

Zagueiro emprestado pelo Cruzeiro à Chape, coube a Douglas Grolli fazer o primeiro gol da primeira partida pós-desastre. Foi ele o responsável pelo empate, ao escorar um cruzamento dentro da área. O Palmeiras havia aberto o placar com Raphael Veiga. Ambos no primeiro tempo, marcado pelo desentrosamento comum ao início de temporada.

Após o intervalo, com i Palmeiras tendo feito muitas mudanças, a Chape abriu logo o placar na etapa e chegou à virada com o volante Amaral, que aproveitou brecha na zaga para marcar. O jogador foi emprestado pelo Palmeiras.

A Chape acabaria trocando todo o time. Na etapa final, houve boa movimentação na frente com Arthur pela esquerda, Osman pela direita e Túlio no meio. Queriam mostrar serviço a Mancini, comandante de um time em construção. Já o Palmeiras, em ritmo de treino, se poupava.

?Vamos, vamos, chape!?

Quando chegou ao 26º minuto do segundo tempo, ou 71 na soma das duas etapas, o jogo parou, em homenagem ao total de vítimas no voo da Lamia. Jogadores e torcida bateram palmas e gritaram em uma só voz: ?Vamos, Vamos, Chape!?. Emocionante, porque foi um minuto de silêncio dos mais estrondosos da história do futebol brasileiro.

No fim, Vitinho ainda soltou uma bomba no ângulo e empatou um jogo no qual venceu a solidariedade.