Policial

Prefeitura vai ao MP e acusa Samu de negligência

Em meio a jogo de empurra, pacientes ficaram duas horas na rua, debaixo de chuva

Santa Tereza do Oeste – A Prefeitura de Santa Tereza do Oeste recorreu à 9ª Promotoria Pública de Cascavel pedindo providências do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para apurar uma possível negligência no atendimento a duas vítimas de atropelamento. A informação é do procurador-jurídico do Município, Cézar Paulo Lazarotto.

Tudo isso por causa da demora na prestação de socorro na noite de domingo, quando duas vítimas de atropelamento esperaram cerca de duas horas para serem socorridas, debaixo de chuva, enquanto um jogo de empurra tentava decidir quem acudiria os feridos.

Mas o caso não foi isolado. Ontem uma criança sofreu uma queda na escola e fraturou o fêmur e também não foi atendida pela ambulância da base do Samu no Município. Ambos os atendimentos foram feitos pelo Siate, do 4º GB (Grupamento de Bombeiros) de Cascavel, que tem área de atuação em Santa Tereza.

“Em um ano e quatro meses de base aqui, em Santa Tereza, precisamos do Samu três vezes e nas três vezes não fomos atendidos. Pagamos R$ 15 mil por mês para o Consórcio para termos a base aqui e sempre temos a mesma desculpa de que a ambulância está em atendimento em outros municípios. Neste caso da criança, ela foi para a UPA [Unidade de Pronto-Atendimento] e depois foi encaminhada ao Hospital Universitário, em estado grave. Mesmo que a ambulância tivesse em outro município, eles não poderiam nos deixar sem atendimento”, reclama Cézar.

Distante cerca de 15 quilômetros de Cascavel, Santa Tereza do Oeste é um município que tem base do Consamu. Mas, de acordo com a direção-técnica do Consórcio, apenas um veículo é disponibilizado no local e não é exclusivo da cidade, prestando atendimento em outras cidades próximas.

No domingo à tarde, por volta das 14h30, a ambulância, que é antiga, ainda de 2011, quebrou. Aliás, esse é o maior problema do Consórcio hoje. Das 25 viaturas, 22 precisam ser trocadas com urgência, porque já rodaram muito mais do que deveriam. A troca já foi solicitada ao Ministério da Saúde, mas até agora sem resposta.

A ambulância quebrada de Santa Tereza foi substituída por outro veículo reserva às 16h de domingo, mas também antigo. Quando houve a solicitação do pedido para atender as vítimas de atropelamento, a ambulância estava em uma ocorrência em outra cidade. “Não houve recusa do Samu, e sim uma indisponibilidade naquele momento. Nessas situações, acionamos a viatura da frota municipal da cidade. Segundo registros, a equipe local não deslocou para a ocorrência porque não quis, e por isso a medida foi acionar o Siate de Cascavel”, afirma Rodrigo Nicácio, diretor-técnico do Consamu Cascavel.

Repasse não garante exclusividade

A assessoria de imprensa da Prefeitura de Santa Tereza informou que o Município paga R$ 15 mil por mês para ter uma ambulância “exclusiva” para a cidade. E que as ambulâncias do Município não têm como atender ocorrências desse tipo, ocasionadas por trauma.

A contribuição mensal do Município ocorre como em todas as cidades do consórcio: é pago R$ 1,36 por habitante. E, segundo estimativa de 2017 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população de Santa Tereza é de 10.471 pessoas. Os valores multiplicados chegam ao valor informado pela assessoria da prefeitura, de quase R$ 15 mil. “A ambulância de Santa Tereza pode ser acionada para cidades vizinhas, que não têm base, assim como ocorre em qualquer outra cidade. Regulamos e acionamos a ambulância da própria cidade, que não foi para o local. Acionamos o Siate de Cascavel, que realizou atendimento 35 minutos depois do primeiro acionamento”, conta Rodrigo Nicácio, diretor-técnico do Consamu.

“Quando fizemos o convênio com o Samu, ficou claro que todos os acidentes e os pronto-atendimentos seriam feitos pelo Samu. Não atendemos com as ambulâncias da cidade esse procedimento. Já aconteceu, outras vezes, de ficarmos desprotegidos porque a ambulância atende outras cidades. O que não pode é o Samu jogar a responsabilidade em cima de nós e o atendimento ser realizado cerca de duas horas depois”, rebate o prefeito de Santa Tereza do Oeste, Élio Narciniak.

O atropelamento

Dois catadores de papel foram atingidos por um carro por volta das 19h de domingo em Santa Tereza, mas só receberam socorro por volta das 21h pelo Siate.

No local, a informação é de que o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado pelo motorista do veículo envolvido no acidente logo após a colisão, mas que a ambulância não poderia prestar socorro às vítimas. Devido à chuva, testemunhas relataram que as vítimas já tinham sinais de hipotermia. “Alegam que há três ambulâncias na cidade, mas onde estão? Não é a primeira vez que isso acontece aqui. A informação é de que a ambulância do Samu não está em Santa Tereza, passaram o atendimento para o socorro da cidade no posto, mas as vítimas ficaram esperando, ao relento, por mais de duas horas até o bombeiro chegar”, reclamaram moradores do Município, durante a transmissão ao vivo do socorro feita pela equipe do dos jornais Hoje News/O Paraná.