Opinião

EDITORIAL: Ele pode, mas ele não!

Enquanto uma parte da população constrói um factoide “mito” com base em opiniões fascistas, que estimula o armamento da população e defende publicamente o uso da força para “pôr o Brasil nos eixos”, a sociedade assiste chocada a um jovem de 15 anos atirar em colegas de sala de aula aqui, no oeste do Paraná.

O rapaz teve acesso a um revólver, a munições e a outros armamentos para se vingar das humilhações a que estaria sendo submetido por jovens da mesma idade. A tragédia poderia ter sido bem pior. Mas foi bastante grave.

O caso reacende as discussões em torno do bullying, especialmente nas escolas. Assunto relevante e que jamais deve ser esquecido. Só que… e o que está acontecendo hoje por todo o País? Por que o “mito” pode defender o uso de armas para se defender, para “pôr ordem”, despreza uma “geração de covardes”, e é aplaudido por súditos cada vez mais fiéis? Ele pode, mas o garoto daqui, do oeste do Paraná, não pode? São coisas diferentes, vão dizer. De maneira alguma!

Violência gera violência. Seja ela incitada em discursos, em ideologias, em apologias, seja em agressões físicas ou verbais, direta ou indiretamente. Toda ação gera uma reação. Não se pode esperar paz quando se incita o caos. Não se pode esperar carinho quando se pratica o ódio.

E se esse garoto não quer fazer parte da “geração de covardes” e prefere pagar na mesma moeda o tratamento que lhe deram? E se outros pensarem assim? E se um colega do meu filho também agir assim?

Enquanto País afora se “ensina” o povo a se defender na mesma moeda, queremos que nossos vizinhos apenas ofereçam a outra face. Ódio só gera ódio. E contagia…