Economia

Mercado projeta inflação de 5,44% e dólar fecha com queda de 1,35%

Para 2023, analistas mantiveram a expectativa da semana passada em relação ao IPCA

Dinheiro, Real Moeda brasileira
Dinheiro, Real Moeda brasileira

 

 

Brasília – O mercado financeiro aumentou mais uma vez a previsão de inflação para este ano. Segundo projeção do Boletim Focus, divulgado ontem (7), em Brasília, pelo BC (Banco Central), o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) – a inflação oficial do país – deve fechar 2022 em 5,44%. É a quarta vez que se projeta alta da inflação para 2022. Há uma semana, a estimativa do mercado era de que a inflação terminasse o ano em 5,38%. Há quatro semanas a previsão era de 5,03%.

Para 2023, analistas mantiveram a expectativa da semana passada em relação ao IPCA. A projeção desta semana aponta uma inflação de 3,50%. Há duas semanas, o cálculo era de 3,40% no próximo ano. Em 2024, a projeção é a mesma das últimas semanas: inflação de 3%. O boletim, divulgado semanalmente, reúne a estimativa para os principais indicadores econômicos do país.

 

PIB

No boletim divulgado ontem, o Focus também manteve a previsão do PIB (Produto Interno Bruto) – a soma de todas as riquezas produzidas no país – registrada há sete dias. A projeção é de crescimento do PIB de 0,30% em 2022. Há quatro semanas o mercado previa a expansão da economia brasileira em 0,36%. O Focus registra pela terceira vez seguida diminuição na expectativa de crescimento do PIB para 2023, passando de 1,55% na semana passada para 1,53%. Para 2024, a estimativa se manteve estável, ficando em 2%.

 

Taxa de juros

A previsão do mercado para a taxa básica de juros, a Selic, em 2022, ficou estável pela quarta vez em relação ao divulgado na semana passada: 11,75% ao ano. Na semana passada, o Copom (Comitê de Política Monetária) aumentou a taxa de juros de 9,25% para 10,75% ao ano. A decisão era esperada por analistas financeiros.

A taxa atingiu os dois dígitos pela primeira vez desde julho de 2017, quando estava em 10,25% ao ano. Esse foi o oitavo reajuste consecutivo na taxa Selic. Em comunicado, o Copom indicou que continuará elevando os juros básicos até que a inflação esteja controlada no médio prazo. Para o fim de 2023, a estimativa do mercado é de que a taxa básica de juros caia para 8% ao ano. E para 2024, a previsão é de Selic em 7% ao ano, cálculo que repete o das semanas anteriores.

 

Dólar

A expectativa do mercado para a cotação do dólar em 2022 também se manteve igual ao projetado na semana passada: R$ 5,60. Já para o próximo ano, o mercado estima que a moeda deve ficar em R$ 5,50. Para 2024, após um período de estabilidade, a moeda norte-americana deve passar dos R$ 5,40, estimados na semana passada, para R$ 5,39.

Já no fechamento de ontem, a cotação da moeda americana apresentou expressiva queda de 1,35%, fechando em R$ 5,2520. É a menor cotação da moeda americana frente ao real no último cinco meses. A menor marca anterior havia sido R$ 5,2360, em 15 de setembro.

A atuação do Banco Central ao remediar a alta da inflação por meio do aumento da taxa Selic é um dos fatores que sustenta a queda da moeda americana. Juros altos ampliam a atratividade da renda fixa brasileira para investidores estrangeiros, que trazem seus dólares. Somente neste ano, mais de US$ 30 bilhões (R$ 159 bilhões) entraram no país. “O principal diferencial [para a queda do dólar] pode ser a taxa de juros. Estamos com a Selic a 10,75%, o que dá um juro real [descontada a inflação] elevado neste ano, se considerarmos uma previsão de IPCA [inflação oficial] prevista para 5,3%”, diz Fernando Giavarina, chefe de câmbio da Valor Investimentos.

 

Bolsa de Valores

Por outro lado, a alta da Selic pode exercer pressão negativa sobre o desempenho da Bolsa de Valores brasileira. Neste início de semana, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário do país caiu 0,22%, a 111.996 pontos. Neste ano, porém, a Bolsa ainda acumula alta de 6,84%.

A pressão da alta dos combustíveis sobre a inflação está no radar do mercado não apenas porque a alta nos preços resultaria em juros ainda mais elevados, mas também devido ao seu potencial de estimular medidas políticas que possam afetar a arrecadação federal. A preocupação com o risco fiscal voltou a aparecer em destaque nos relatórios de analistas a investidores nesta segunda.

 

+++++

 

Nível de emprego da FGV índice desde agosto de 2020

 

Rio de Janeiro – O Iaemp (Indicador Antecedente de Emprego), medido pela FGV (Fundação Getulio Vargas), teve queda de 5,3 pontos de dezembro de 2021 para janeiro de 2022. Foi o terceiro recuo consecutivo. Ele chegou a 76,5 pontos, menor patamar desde agosto de 2020 (74,8 pontos). O Iaemp busca antecipar tendências do mercado de trabalho, com base em entrevistas feitas com consumidores e empresários da indústria e do setor de serviços.

Todos os componentes tiveram queda em janeiro. O principal destaque negativo foi o indicador de situação atual dos negócios da indústria, que contribuiu com -1,6 ponto para a queda de 5,3 pontos do Iaemp. Também tiveram recuos relevantes a tendência dos negócios nos próximos seis meses e as intenções de contratação nos próximos três meses do setor de serviços, que contribuíram com -1 e -0,9 ponto, respectivamente.

“A piora mais acentuada no início de 2022 decorre da combinação da desaceleração econômica iniciada no quarto trimestre com o surto de Ômicron e Influenza, o que afeta principalmente o setor de serviços, que é o maior empregador, tornando no curto prazo difícil vislumbrar uma alteração no curso do indicador”, disse o pesquisador Rodolpho Tobler, em nota divulgada pela FGV.