Cotidiano

Venezuelanos marcham contra e a favor de referendo

CARACAS ? Defensores e opositores do presidente Nicolás Maduro foram às ruas de Caracas neste sábado em duas marchas que tiveram como principal tema o referendo revocatório que a oposição venezuelana busca realizar até o fim do ano, numa tentativa de remover o presidente do cargo antes do fim de seu mandato, em 2019.

Pela manhã, a Mesa de Unidade Democrática (MUD), principal coalizão de oposição do país, realizou uma marcha marcada por fortes críticas ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE), sobre o qual tenta exercer pressão para que reconheça as assinaturas coletadas e leve adiante o processo do referendo.

? A estratégia do governo é bem clara: farão de tudo para retardar o referendo ? afirmou o deputado oposicionista Juan Requesens, que marchou carregando nas mãos uma cópia da Constituição venezuelana.

Em discurso, o presidente da Assembleia Nacional (AN), Henry Ramos Allup, comentou rumores de que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) teria uma medida preparada para destituir o Parlamento por desacato.

? Soube que já há uma sentença redigida, esperando para ser publicada ? afirmou Allup. ? Fomos eleitos pelo povo e só o povo pode reverter nossas decisões. O governo tem realizado emboscadas sistemáticas contra a AN porque sabe que somos o único poder autônomo que ele jamais controlará.

Criticando o decreto de Estado de Exceção e Emergência Econômica anunciado por Maduro na noite de sexta-feira, o governador do estado de Miranda e líder da oposição, Henrique Capriles, convocou manifestantes a marcharem novamente na próxima quarta-feira para pressionar o CNE.

? Maduro deveria usar seu decreto como papel higiênico, porque é para isso que ele serve ? afirmou Capriles.

Chavistas questionam validade de assinaturas

Já durante a tarde, foi a vez de chavistas se reunirem no centro de Caracas para um evento que contou com a presença do presidente. Em discurso, Maduro voltou a atacar a direita sul-americana, a quem acusa de conspirar contra o Executivo venezuelano, defendeu seu plano de economia comunal e mandou recados aos opositores.

? Aquele que não quiser trabalhar, que vá embora. Eu estou decidido a fazê-lo porque o povo precisa que toda sua estrutura econômica funcione ? afirmou o presidente.

Jorge Rodríguez, prefeito de Libertador e presidente da comissão para verificação de assinaturas acusou a oposição de usar nomes de ?mortos, menores de idade e estrangeiros sem documentos?.

? Tentaram perpetrar uma imensa fraude con um dos mecanismos constitucionais ? declarou Rodríguez. ? Por isso estão tão desesperados, porque já os pegamos em sua primeira mentira: não recolheram nem a metade das assinaturas necessárias