Cotidiano

Tecnologia e custo Brasil são os grandes desafios da indústria automotiva do Paraná

E toda a cadeia produtiva do setor no Paraná precisará se adaptar a esse cenário se não quiser sucumbir

Tecnologia e custo Brasil são os grandes desafios da indústria automotiva do Paraná

Curitiba – Tendências como eletrificação, conectividade, mobilidade compartilhada e direção autônoma transformarão a indústria automotiva nos próximos dez anos. E toda a cadeia produtiva do setor no Paraná precisará se adaptar a esse cenário se não quiser sucumbir. Para isso, precisará executar uma série de ações consideradas críticas, como investimento em PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação), capacitação de recursos humanos, articulação intersetorial e até mesmo tratativas com os diversos níveis de poder do estado visando à mudança de regras para o setor.

Um estudo organizado pelo Observatório do Sistema da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) se propõe a apontar o caminho para atravessar esse cenário. Lançada nesta semana, a publicação Rota Estratégica para o Futuro da Indústria Paranaense – Automotivo e Autopeças 2031 traça as barreiras que montadoras, fabricantes de autopeças e prestadores de serviço do segmento enfrentam e um total de 409 iniciativas que podem ser tomadas, em uma agenda conjunta, em curto, médio e longo prazos.

O investimento em PD&I e tecnologia é a área que concentra a maior quantidade de demandas: 102. Uma das principais transformações já em andamento diz respeito à eletrificação das frotas, na qual a indústria local ainda caminha alguns passos atrás. “Vimos na semana passada o encerramento da produção da Ford no Brasil, que está relacionado, em grande medida, ao ajuste da matriz às transformações tecnológicas”, diz a gerente executiva do Observatório do Sistema Fiep, Marília de Souza, que organizou o estudo. “A Europa tem normas que definem que a partir de 2035 não será permitido produzir veículos a gasolina ou a diesel, mas, com o endurecimento das normas de emissão discutidas por órgãos regulatórios europeus, a tendência é de que esse prazo seja antecipado. Na Alemanha, a Volkswagen produziu em julho de 2020 seu último carro a combustão. Se queremos competir com o mercado internacional, vamos ter que nos ajustar a esse novo cenário”, avalia.

As mudanças impactam diretamente outros elos da cadeia, ressalta Alexandre Parker, diretor de responsabilidade corporativa e institucional da Volvo do Brasil. A indústria vai precisar passar por mudanças no foco estratégico. “Vamos passar por uma mudança de paradigma muito grande.”

 

Reformas

Para o diretor da Renault, no entanto, há outro grande entrave que a indústria automobilística paranaense, e a brasileira, de forma geral, enfrenta: o chamado custo Brasil. “Precisamos acabar, no menor prazo possível, com os gargalos que o Brasil tem, principalmente em logística e no sistema tributário, que nos tiram a competitividade”.

Mudanças em políticas de estado estão entre as ações que o estudo elaborado pela Fiep classifica como críticos para o desenvolvimento do setor automotivo no Paraná. São, ao todo 61, medidas relacionadas a questões burocráticas, trabalhistas, tributárias, alfandegárias e logísticas, por exemplo, consideradas necessárias para o avanço do setor.

“Existe um certo desespero das empresas, que não encontram as condições necessárias para se tornarem competitivas”, diz Marília de Souza. “Por mais esforço que façam, o conjunto de regras elimina a competitividade que poderia ser obtida em termos de gestão, de produção ou de desenvolvimento tecnológico.”

Para ela, a construção de um documento como o organizado pela Fiep dá peso para articulações multissetoriais frente aos diversos níveis de Estado. “É um planejamento de longo prazo e elaborado coletivamente, o que confere valor para articulação do setor como um todo”, afirma. “As associações, federações e sindicatos vão usar o material como referencial sobre a demanda da cadeia produtiva, o que faz com que pedidos aos diversos poderes tenham mais peso.”

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