Toledo – Em 2021, a suinocultura paranaense tem precisado de um desembolso maior para cobrir os gastos com insumos alimentares. Os reajustes nos preços recebidos pelo animal não têm compensado o elevado custo de produção, aponta levantamento realizado pelo Sistema Faep/Senar-PR. “Os preços do milho e do farelo de soja estavam mais favoráveis em 2020, que foi um ano espetacular para a suinocultura. Quando analisamos 2021, vemos que houve reajuste no preço recebido pelo suíno em alguns modelos de produção e regiões, mas os preços do milho e do farelo de soja não compensaram pois tiveram aumento de mais de 50%”, destaca Deborah Gerda de Geus, presidente da CT (Comissão Técnica) de Suinocultura da Faep.

Esses insumos impactaram diretamente no custo de produção da atividade. Na composição dos custos variáveis, a alimentação é o que mais pesa. No sudoeste do Paraná, por exemplo, os gastos com insumos alimentares representam mais de 60% na maioria das modalidades analisadas (com exceção do Crechário em sistema de comodato, com 49%).

Para os produtores integrados, apesar do aumento do preço recebido, as margens ficaram mais estreitas devido à alta desproporcional do custo de produção. Houve expressivo aumento dos gastos com mão de obra, manutenção, despesas administrativas, EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e transporte.

 

Incertezas

Mesmo que a suinocultura apresente uma sucessão de resultados negativos – caso deste primeiro semestre de 2021 -, os produtores se mantêm na atividade, muitas vezes, devido a compromissos financeiros firmados anteriormente com instituições financeiras. Essa situação é frequente entre os integrados, que contratam financiamentos e se comprometem a quitá-los com o rendimento proveniente da produção.

Em Toledo, a produtora Geni Bamberg, integrada à BRF, possui 1,7 mil animais na modalidade UPT (Unidade Produtora de Terminados). Para ela, que recebe os insumos alimentares da empresa integradora, o maior custo tem sido a mão de obra, seguido de gastos com transporte. “Nós tivemos melhorias na remuneração e perspectivas de ampliações das granjas, mas o momento é de cuidado redobrado. Além do aumento dos custos de materiais de construção, a escassez no setor está causando muita demora na entrega, que pode levar até 160 dias. Isso causa muitas incertezas sobre quando o barracão estará pronto para iniciar a produção e assim poder honrar o pagamento das parcelas do financiamento no prazo previamente definido”, relata.

 

Expectativa

Apesar dos resultados apertados, a cadeia mantém expectativas otimistas em relação aos próximos anos, principalmente devido ao recente reconhecimento do Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação e de Peste Suína Clássica pela OIE (Organização Mundial de Saúde Animal). Os novos status prometem abrir mais mercados para o Estado, principalmente aqueles que pagam mais pela carne. As importações aquecidas da China também entram nessa conta.