Sincronia de semáforos vira realidade a partir de novembro

Estudo encomendado pela prefeitura se baseia no fluxo de veículos nos horários de pico

Cascavel – Seis meses de estudo para garantir que Cascavel tenha, enfim, sincronia entre os principais corredores de trânsito da cidade: as Avenidas Brasil, Barão do Rio Branco e Tancredo Neves. A partir da segunda quinzena de novembro, o novo plano semafórico do Município entra em funcionamento. Serão 91 cruzamentos com semáforos programados, com dez planos por cruzamento, que resultam em 910 planos criados e coordenados entre 23 redes de sincronismo.

E um detalhe: a tal esperada “onda verde” na Avenida Brasil não vai acontecer. “É tecnicamente inviável esse plano semafórico em um trecho de mão dupla, que funciona apenas em ruas como a Rio Grande do Sul e a Paraná, de sentido único”, justifica o responsável técnico de engenharia de trânsito da Dataprom, Alexandre Zumwinkl.

A empresa responsável pelo estudo já possui números que comprovam a eficácia desse novo ciclo semafórico – mesmo sem a Onda Verde na Brasil – e que faz parte do Projeto de Mobilidade de Trânsito Humanizado apresentado ontem pelo prefeito Leonaldo Paranhos, na Prefeitura de Cascavel, e que tem a missão de reduzir o tempo de percurso nos corredores e garantir um fluxo de veículos mais ágil e sem congestionamentos.

No trecho da Avenida Brasil que liga os terminais Leste e Oeste, por exemplo, a sincronização dos semáforos, ainda em fase de testes, reduziu em 27% o tempo de percurso na via durante o período da manhã. Outra mudança significativa foi a diminuição no número de paradas, que passou de 15 para seis. No sentido inverso, igualmente pela manhã, o tempo de percurso caiu em 23%, com redução de 58% nas paradas, passando de 12 para cinco.

Menos tempo

Zumwinkl afirma que todos os tempos de verde, amarelo e vermelho dos semáforos foram recalculados e refeitos. Em novembro, o tempo dos semáforos no vermelho à noite passa a ser de 30 segundos, diferente do que ocorre hoje, em que o motorista permanece um minuto e meio parado, aguardando o sinal verde para seguir. “O plano para a noite é bem mais curto, pequeno, especialmente para evitar risco de assaltos durante a madrugada enquanto o motorista espera o semáforo abrir”, explica Zumwinkl.

Durante o dia, os planos diferem de acordo com o horário de pico, com mudanças previstas ainda para o sábado e o domingo. “Cascavel nunca teve um plano tão adequado ao fluxo, que conta cada hora e dia da semana”, comenta.

Botoeiras inteligentes

O Projeto de Mobilidade Urbana conta também com botoeiras inteligentes, um sistema de controle semafórico que atenderá prioritariamente pedestres idosos, aumentando o tempo de travessia nos cruzamentos das Avenidas Brasil, Barão do Rio Branco e Tancredo Neves. As botoeiras já são referência em Curitiba. Por lá, quando acionadas, o tempo de travessia passa de 12 para 18 segundos.

A proposta inicial é de que o cartão Vale Sim, atual modelo de bilhetagem eletrônica, seja usado para acionar a botoeira. Até novembro, 90 botoeiras serão implantadas e, para acioná-las, será necessário um cartão de reconhecimento. Para isso, o Município deve firmar parceria com as empresas Pioneira e Viação Capital, que prestam serviços de transporte coletivo de passageiros na cidade.

Integração temporal é a solução no transporte coletivo

Integração temporal é a solução encontrada para a redução da quantidade de veículos adaptados. Desse modo, a frota que seria composta de 47 ônibus com portas do lado esquerdo, hoje será de 19. “Não vamos precisar de ônibus ligando um terminal ao outro, o passageiro simplesmente troca de veículo em qualquer ponto da cidade com a mesma passagem. Facilitando para o passageiro, bem como diminuindo o tempo de transporte, sem precisar fazer o transbordo nos terminais”, explica o responsável técnico de engenharia de trânsito da Dataprom, Alexandre Zumwinkl.

Com a integração temporal, o sistema do cartão Vale Sim receberá uma atualização para o passageiro trocar de ônibus em um determinado período em qualquer ponto da cidade sem descontar nova passagem.

Em Cascavel, o BRQ (Bus Rapid Quality – Ônibus Rápido de Qualidade) foi o nome proposto ao novo modal de transporte ainda no começo deste ano. Por esse sistema, haverá ônibus com portas esquerdas nos corredores exclusivos das Avenidas Brasil, Barão do Rio Branco e Tancredo Neves. Já a frota que atenderá o Terminal Sul até o Centro de Cascavel terá cinco portas: duas no lado esquerdo e três no direito. “No estudo anterior, havia necessidade de uma frota maior e sem necessidade de tantos ônibus com portas dos dois lados. Hoje sugerimos seis com essa configuração”, diz Zumwinkl.

Conforme ele, é necessário esses veículos pois a Avenida Carlos Gomes continua com os pontos à direita e, para fazer a integração com o corredor exclusivo, os ônibus precisaram das portas esquerdas.

Dentro do BRQ, algumas das possíveis linhas a serem implantadas são Nordeste/Sudoeste, Leste/Oeste, Sudoeste/Leste e Centro/Terminal Sul. Trajetos esses pensados após avaliação de seis meses do sistema atual e do anteriormente proposto em 2016. “Do ponto de vista técnico, Cascavel tem o melhor projeto operacional em mobilidade urbana do País. Tem tudo para ser referência”, conta o responsável técnico da Dataprom.

Apesar das novidades e dos avanços, Zumwinkl acredita não haver necessidade de reajuste tarifário, contudo, o prefeito Leonaldo Paranhos afirma que será difícil manter o valor atual, podendo a nova passagem ter subsídios do Município ou subir alguns centavos. “Vamos tentar fazer o possível para que essas melhorias não pesem no bolso da população”, garante o prefeito.

Silvio Matos



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