Cotidiano

Roubos de cargas causam prejuízo de R$ 60 mi ao ano

Em 2014 o prejuízo médio foi de R$ 60 milhões, com uma média de 500 roubos no ano no Estado, especialmente de alimentos

Cascavel – Quadrilhas cada vez mais preparadas e conectadas umas com as outras têm gerado prejuízos milionários às empresas transportadoras e aos motoristas autônomos. Além do risco à vida que a ação de bandidos traz diariamente aos caminhoneiros, o trabalho de quem fiscaliza e investiga os roubos de cargas no Paraná se torna ainda mais difícil com a evolução das fraudes.

Conforme o presidente do Setcepar (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná), Gilberto Cantú, em 2014 o prejuízo médio foi de R$  60 milhões, com uma média de 500 roubos no ano no Estado, especialmente de alimentos. “O roubo de cargas afeta não só as transportadoras, mas toda a cadeia produtiva, inclusive o consumidor final. O evento de um roubo gera um desgaste em todo o processo, desde o transportador, embarcador, seguradora, motorista, até o custo econômico. A ação gera uma tensão ao motorista pelo fato de ficar em poder dos bandidos sob ameaça, aumento de custo de seguro, gerenciamento da carga e concorrência desleal patrocinada pelo receptador”, relata Cantú.

O último levantamento da Associação Nacional do Transporte de Cargas & Logística, a NTC&Logística, apontou um crescimento de 42% no número de roubo de cargas no Brasil, passando de 13.350 casos em 2009 para 17.500 em 2014. Em valores, isso representa um prejuízo de R$ 2 bilhões em todo o País. “Sabemos que o número é crescente. No entanto, ainda não existem dados atualizados no Paraná, já que a delegacia especializada foi criada só no começo deste ano. De acordo com levantamento da Sascar, especializada na gestão de frotas de caminhões, no primeiro trimestre deste ano, o Paraná apresentou um crescimento de 5% nas ocorrências”, afirma o presidente da Fetranspar (Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná), Sérgio Malucelli.

“Eles não são amadores”, afirma Sindicato

“Não tem horário específico. Eles [os ladrões] não são amadores, e quando há a oportunidade, atacam”, conta o presidente do Sintropar (Sindicato das Empresas de Transporte e Logística do Oeste do Paraná), Luiz Carlos Zanella. Até com o caminhão em movimento os ataques ocorrem e a estratégia inicia enquanto os motoristas descansam. “Os integrantes das quadrilhas violam o sistema de ar do caminhão, e quando o veículo começa a rodar, todo o ar é perdido e o motorista se vê obrigado a parar o caminhão na estrada. E é nesse momento que ele é abordado pelos bandidos e tem sua carga ou veículo roubados”, diz.

Esse método é apenas um dos utilizados pelas quadrilhas especializadas em roubos de cargas no Paraná, que ocupa a quarta posição no ranking entre os estados brasileiros com a maior incidência de ataques a motoristas de caminhão. As três primeiras colocações ficam com Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. No Paraná, as rodovias com a maior ocorrência de crimes são as BRs 277 e 116, próximo a Curitiba.

Luiz Carlos Zanella lamenta que a profissão tenha se tornado perigosa, e que tanto as transportadoras quanto os profissionais autônomos estejam sofrendo prejuízos difíceis de serem revertidos. “Em alguns casos, os bandidos levam, além da carga, o veículo, que tem valor agregado. Quando isso acontece todo o investimento é perdido e desmotiva o trabalhador”, reitera.

Proteção

Na tentativa de reduzir os prejuízos causados pelos criminosos, as empresas investem uma boa parte dos rendimentos em gerenciamento de risco, cursos correspondentes de carga perigosa e direção defensiva para evitar que os roubos cresçam ainda mais, conforme Malucelli. Outra medida que será tomada para auxiliar no combate desse problema é a implantação de chips nos caminhões, que deve ser iniciada em agosto pela ANTT (Agência Nacional de 

Delegacia especializada já deflagrou 60 operações

Desde janeiro de 2016, a Polícia Civil trabalha para combater furtos e roubos de cargas no Estado, com a criação da Delegacia de Furtos e Roubos de Cargas, instalada em Curitiba. A maior demanda ocorre na capital e Região Metropolitana. Até junho, 60 operações foram deflagradas e 52 pessoas presas.

De acordo com Malucelli, essa foi uma grande conquista do setor, uma bandeira levantada há pelo menos três anos pela Fetranspar e sindicatos. “Contudo, essa delegacia ainda está em fase inicial e tem passado por constantes mudanças, inclusive de delegado. Em apenas seis meses, já está no terceiro delegado. Esse cenário demonstra certo descaso e preocupa o setor. A estrutura que Delegacia de Furtos e Roubos de Carga do Paraná dispõe ainda é precária para o combate efetivo do roubo, pois as quadrilhas são especializadas e é necessário um trabalho de inteligência para desmantelá-las. É preciso iniciar um trabalho consistente para que tenhamos bons resultados a médios e longos prazos”, comenta o presidente da Federação.