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Rodada do Brasileiro volta a gerar reclamações contra a arbitragem

Foi uma rodada com jogos emocionantes, viradas e partidas decididas no fim, mas só o que se falou ao fim dos jogos deste domingo foi sobre arbitragem. Após o polêmico Fla-Flu de quinta-feira e no mesmo dia em que uma reportagem do ?Esporte Espetacular?, da TV Globo, mostrou que houve interferência externa na marcação do impedimento no gol tricolor no clássico, a pressão sobre a arbitragem só aumentou a cada lance que envolveu as três equipes que disputam o título brasileiro: Palmeiras, Flamengo e Atlético-MG.

Se na sexta-feira, foram os dirigentes palmeirenses que se manifestaram irritados com o lance do Fla-Flu e insinuando que o Flamengo estava sendo beneficiado, dessa vez foram os presidentes do time rubro-negro e do Atlético-MG que foram à imprensa reclamaram de um suposto favorecimento ao líder do Brasileiro.

Não houve qualquer lance duvidoso na derrota do Flamengo para o Internacional no Beira-Rio. O mesmo não se pode dizer da vitória do Palmeiras sobre o Figueirense por 2 a 1, que fez a equipe paulista abrir quatro pontos de vantagem sobre os rubro-negros. O presidente Eduardo Bandeira de Mello reclamou do pênalti marcado em Gabriel Jesus, que originou o primeiro gol palmeirense.

– Eu acho não, eu sei que não foi pênalti. Se isso foi pênalti, o Guerrero sofre uma dúzia de pênaltis por jogo. Parece que houve um pênalti a favor do Figueirense que não foi marcado, mas vou fazer o quê? Tem sido assim no campeonato, e ainda temos que ouvir algumas pessoas falando em vergonha e em manchar a imagem do campeonato – disse Bandeira, em recado ao presidente do Palmeiras, Paulo Nobre.

Na sexta-feira, o dirigente palmeirense havia falado que ninguém levaria o campeonato ?na mão grande? e que o que acontecera no Fla-Flu podia ?manchar a história do campeonato?.

Bandeira reclamou de seguidos erros contra o Flamengo e ironizou as acusações de que o clube faz pressão sobre as arbitragens.

– Isso não precisa de leitura labial. Foi ele (Paulo Nobre) que deu essa entrevista, foi ele que falou de pouca vergonha, não disse quem não tem vergonha na cara. Aliás, o diretor do Palmeiras que disse que três ou quatro presidentes ligaram para ele preocupados com a pressão que o Flamengo faz sobre as arbitragens. Se eu faço pressão por arbitragens, eu sou um incompetente, porque até agora eu não consegui um único jogo em 31 rodadas que o Flamengo fosse beneficiado pela arbitragem. Que pressão é essa?

Além do pênalti marcado que resultou no primeiro gol de Jean na partida, o Figueirense reclamou de um pênalti não marcado de Egidio em Rafael Silva. Isso revoltou os dirigentes do clube catarinense.

– Fui falar que ele (o árbitro Igor Junio Benevenuto) foi mal. Caiu na pressão do Palmeiras. Que pênalti é esse? Isso não existe. E o pênalti do Rafael (Silva) lá? Pênalti claro! Não dá, né! A gente está lutando, lutando, o cara vem aqui na mão grande, e o Palmeiras sai com três pontos. Ai querem moralizar o futebol brasileiro, ai o Marco Polo (Del Nero, presidente da CBF) vai lá e dá (promete) 300 mil para o primeiro lugar da arbitragem. Eles não merecem nada. Brincadeira o pênalti que ele deu aqui. E tinha que dar o pênalti do Rafael, que foi claro, e ele não deu – disse o assessor da presidência do clube, o ex-jogador Branco.

– Difícil jogar contra o líder, mas um lance daquele é absurdo, o jogo estava igual. Claro que ele veio para ajudar o Palmeiras. Fizeram pressão durante a semana, vieram aqui e garfaram a gente – completou.

Já o presidente do clube catarinense, Wilfredo Brillinger, disse que o campeonato está manchado.

– O campeonato esta manchado, não tem mais credibilidade nenhuma depois do que vimos… Sempre procurei levar essas questões de arbitragem à CBF de forma institucional, mas hoje (neste domingo) foi realmente lamentável. Não é que foi erro normal. Se tivesse errado no primeiro pênalti, se fosse um erro normal, ele provavelmente daria o pênalti também no Rafael Silva. Então já veio predestinado a nos prejudicar. Deu no primeiro lance porque não saberia se teria outra chance na área para dar o pênalti para o Palmeiras. Foi vergonhoso. Todos saímos daqui como verdadeiros palhaços. Agora não tenho dúvida nenhuma que as coisas estão pré-determinadas. Poderíamos jogar até amanhã de manhã que não ganharíamos do Palmeiras, porque as coisas já estavam preestabelecidas. Poderíamos até perder, não teria problema nenhum, até seria um resultado normal, mas não do jeito que foi. Não aceitamos e não vamos aceitar.

REVOLTA NO ATLÉTICO-MG

No Rio de Janeiro também sobrou revolta entre os dirigentes do Atlético. O clube mineiro reclama que no primeiro gol do Botafogo, marcado por Bruno Silva, a bola bateu na mão do volante antes de ele fazer o gol. Pouco depois, em um lance na área alvinegra, o zagueiro Emerson desviou um chute com o braço. Nos dois casos, o árbitro Wagner Reway não marcou falta.

– Futebol tem um investimento bilionário e não pode ficar por conta de erros. Árbitro e decide campeonato e não tem critério. Não adianta ter sorteio de árbitros. Se o árbitro erra, ele tem que ser retirado. Todos estão revoltados. Não é papel de presidente ficar reclamando pós-jogo e cobrando mudança, porque a lambança já aconteceu. Eu quero saber quando que eu vou poder tirar o árbitro? Daqui a duas rodadas ele vai estar apitando de novo – lamentou o presidente do clube, Daniel Nepomuceno.

ÁRBITRO VOLTA ATRÁS

E no meio disso tudo, a rodada ainda teve mais um lance que poderia ter sido decisivo em que um árbitro voltou atrás de uma decisão como no Fla-Flu. Aconteceu no triunfo do Sport sobre o Vitória por 1 a 0, em Recife. Durante a partida, Matheus Ferraz deu um carrinho em Cárdenas dentro da área, mas o árbitro André Luis Castro, inicialmente, só marcou escanteio.

Depois da pressão dos jogadores do Vitória, porém, ele voltou atrás e marcou pênalti. Mas Kieza acabou acertando a trave, mantendo a vitória do Sport.

– Infelizmente, isso deixou o nosso time intranquilo. A segunda bola não existe. Ou faz para todo mundo, ou não faz para ninguém. Deu escanteio e voltou atrás – disse o meia Diego Souza.