Cotidiano

Projeto social Crespinhos S.A. em favor da representatividade negra

INFOCHPDPICT000059126568

RIO ? Quando ser negro na nossa sociedade se mostra tarefa longe de ser das mais fáceis por contra dos discursos de ódio e preconceito crescentes, crescer negro vira um processo doloroso e complicado se faltar uma boa dose de esclarecimento. Ciente disso e diante da pouca representatividade de negros na mídia e no mundo da moda, Renata Morais criou o projeto social Crespinhos S.A., uma produtora que agencia crianças a partir de 1 ano e meio de idade até os 14 anos para ações, eventos e desfiles, promovendo a cultura e a beleza afro.

A iniciativa, que teve como ponto de partida a experiência pessoal de Renata, já levou 120 crianças a produzirem books com a produtora, e 60 delas constituem grupo fixo de modelos sempre presentes nos eventos promovidos pela Crespinhos, como o piquenique que começa a ser organizado mensalmente no Parque de Madureira. A próxima edição da reunião entre pais e crianças acontece no dia 17, a partir das 10h, e é aberto ao público (pede-se somente que os interessados levem alguma bebida ou comida que possa ser compartilhada). O lanche a céu aberto é a oportunidade do encontro de experiências que ajudam na formação de parâmetros de crianças e adolescentes, ainda carentes de representatividade nos grandes meios de comunicação.

? Não tenho conhecimento de nenhuma produtora que trabalhe exclusivamente com crianças negras. O intuito é criar um movimento que, ao mesmo tempo que trata a questão do preconceito, eleva a autoestima, dá um empurrão para incluir as crianças e mostrar o quanto elas são belas exatamente da forma como são ? diz Renata.

Ela, inclusive, tem na filha Elis Catanhede, de 5 anos, um dos exemplos da importância do trabalho. A pequena adora se enfeitar e dançar e se gaba de seu cabelo crespo.

? Ela tem uma força que serve para puxar outras crianças com ela. Ela puxa brincadeira e sabe o que quer. Me perguntam se não é uma superexposição, mas acho que é necessário. A gente tem de ter orgulho de ser o que é ? defende a dona da produtora.

O curioso do trabalho, segundo ela, é perceber crianças tidas como tímidas soltas e seguras de si, que, quando sofrem preconceitos, denunciam aos responsáveis. Uma postura que acaba resultando na mudança de hábitos e pensamentos também dos pais, que passam a ver nos filhos o emponderamento que nunca tiveram.