Policial

Presos davam ordens ao crime organizado

Nesta semana 16 detentos foram denunciados à Justiça; segurança não descarta risco de novos ataques

Catanduvas – Apesar de ser um dos cinco presídios federais de segurança máxima, presos em Catanduvas continuavam comandando ações criminosas e ditando regras aos seus comparsas que estão do lado de fora da prisão.

Essa cadeia de comando que agia dentro das celas fez com que 16 detentos ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital) que estão no presídio federal fossem denunciados criminalmente à Justiça nesta semana.

A operação foi comanda pelo Grupo Especial de Investigações Sensíveis de Cascavel, da Delegacia da Polícia Federal. Este foi um desdobramento da Operação Pregadura, deflagrada em novembro do ano passado, e a denúncia criminal foi apresentada pela Promotoria de Justiça de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, contra um total de 36 integrantes do PCC.

Além da associação criminosa, os denunciados são acusados por tráfico de drogas e uma série de outros crimes, como a determinação da morte de agentes públicos de segurança.

Do total de denunciados, 29 estão presos, dos quais 19 em presídios do Paraná, dentre eles os 16 em Catanduvas e os outros três em Piraquara (presídio estadual). Os demais estão divididos entre seis diferentes estados.

 Novas ações

A reportagem do Jornal O Paraná apurou que o foco também está na imobilização permanente do grupo criminoso que, com frequência, vinha investido contra a ordem pública e reforçando suas ações no tráfico de drogas e armas, sobretudo na fronteira do Brasil com o Paraguai de onde envia produtos ilícitos para todo o Brasil e para fora daqui.

Somado a isso, a denúncia quer frear a tentativa de novas ações identificadas por especialistas no setor de segurança pública como atos terroristas.

O grupo criminoso vem sendo acompanhado cada vez mais de perto diante do endurecimento das regras contra o crime organizado. Há cerca de um mês, por exemplo, o ministro da Segurança Pública, Sergio Moro, determinou que as visitas aos presos que estão nos cinco presídios federais, incluindo o de Catanduvas, só ocorram por meio parlatório.

Desde então, os presos não têm mais qualquer contato físico com familiares nem com advogados. A medida inibe, por exemplo, a entrega de recados ou bilhetes codificados que eram designados a integrantes da facção fora dos presídios que ficavam responsáveis por decifrá-los e executar as ordens, prática chamada de “escritório do crime”.

Acordo raro

Apesar de um “acerto” raro entre facções rivais no fim do ano passado, quando o PCC e o Comando Vermelho teriam acordado que não promoveriam atos de violência contra agentes penitenciários, não estão mais descartadas novos atentados.

Essa possível tentativa de articulação vem sendo monitorada de perto pelos setores de inteligência das forças policiais: “Os presos estão calados, conformados com as visitas apenas por parlatório, Da vez passada [de junho a setembro de 2017, após o assassinato da psicóloga que atuava em Catanduvas, Melissa Almeida], eles ficaram revoltados, e as famílias também. Esse silêncio e esse ‘conformismo’ podem indicar que algo está por vir”, alerta uma fonte ligada à segurança pública.

Juliet Manfrin