Política

Presidenciáveis receberão cobranças da região oeste

Cascavel – Embora seja um celeiro nacional, o oeste do Paraná conheceu da pior maneira possível o quanto reflete negativamente a falta de comprometimento governamental com as necessidades para o desenvolvimento regional.

Reconhecidas perdas significativas na economia, a região ainda luta por duplicação em rodovias, aeroporto adequado e ferrovia eficiente. Necessidades já prometidas em governos anteriores, que, no entanto, não saíram do papel em três décadas.

Diante dos anseios dos municípios, a Amop (Associação dos Municípios do Oeste do Paraná), com apoio das entidades organizadas, construiu um plano de comprometimento com as urgentes obras necessárias no interior do Estado que será entregue aos pré-candidatos à Presidência e também ao governo do Estado.

O ex-governador Geraldo Alckimin (PSDB) foi o primeiro a receber o documento durante lançamento da pré-candidatura. “Vamos entregar a todos nossa pauta de reivindicações: o que queremos e precisamos em investimentos do governo federal”, afirma o presidente da Amop, Anderson Bento Maria (PPS).

As bandeiras regionais apresentadas aos pré-candidatos são velhas conhecidas da população, tamanha a demora dos governantes: duplicação da BR-277 entre Guaraniaçu e Foz do Iguaçu, reabertura da Estrada do Colono e da antiga estrada turística entre Foz e Guarapuava, construção da segunda ponte entre Brasil e Paraguai, mais ramais ferroviários entre Cascavel, Foz e Guaíra, reformulação do Trevo Cataratas e Aeroporto Regional, só pra início de conversa. “É claro que o governo tem que levar investimentos a todas as regiões. Mas precisa compreender que os estados que produzem, geram emprego e desenvolvimento precisam de mais atenção, pois, melhorando os setores produtivos, a arrecadação será maior e assim o presidente poderá fazer mais investimentos”, diz o presidente da Amop.

Pacto Federativo: luta por aumento gradual

A distribuição da arrecadação federal pelo FPM (Fundo de Participação dos Municípios) é considerada insuficiente e há um bom tempo os prefeitos cobram mudanças da União, a exemplo de um novo pacto federativo. “Precisamos que exista ao menos uma proposta que nos dê uma perspectiva de aumento, nem que seja de 0,5% ou 1% ao ano, mas que tenhamos uma expectativa de receber mais”, afirma Anderson Bento Maria.

Integram a lista de reivindicações do oeste do Paraná mais repasses para ensino superior gratuito, aos consórcios intermunicipais de saúde e revisão da Lei de Responsabilidade Fiscal. “Precisamos que o governo esteja mais ciente da nossa realidade. Muitas vezes a União fixa um salário para categorias: decisão tomada em Brasília sem saber como é nossa situação, aumentando nossas despesas engessando a administração”.

Alckmin assegura necessidade de reestabelecer a economia

Ainda em processo de adesão e apoio do chamado centrão de partidos com convicções e objetivos semelhantes, Geraldo Alckmin percorre estados brasileiros para tentar alavancar sua candidatura à Presidência da República, após renunciar ao governo do Estado de São Paulo.

Em visita a Cascavel, o pré-candidato enfatizou que a construção do grupo só se dará entre 20 de julho e 5 de agosto, quando terminam as convenções partidárias.

Ontem, em encontro com prefeitos do oeste do Paraná, Alckmin apontou entre as metas aquilo que todos gostariam que acontecesse: articulação econômica, investimento em infraestrutura, agricultura e segurança nas fronteiras.

O primeiro apontamento esteve relacionado ao agronegócio: obras necessárias para expandir a atuação do setor no País e fora dele. “Precisamos estimular mais modais de transporte e integrar esses modais. No Paraná já existe a ferrovia de Cascavel a Guarapuava, que deve seguir de Guarapuava até o Porto de Paranaguá. Estarei em Dourados (MS), onde está em andamento um estudo de uma PPP [Parceria Público-Privada] de ferrovia até o Paraná”, disse Alckmin, que também defendeu a implantação de “aerovias”.

Para mudar os índices negativos da economia, Alckmin ressaltou a necessidade de reformas estruturantes: “Entre elas a tributária, para simplificar o modelo atual. O mundo vive um protecionismo, temos que ter uma política externa ativa, saber jogar o jogo do século XXI, defender mercado. Precisamos de uma abertura comercial com agenda de competitividade”.

Tempo na televisão

O presidenciável Geraldo Alckmin comentou ainda seu baixo desempenho em pesquisas eleitorais (leia mais na página 4), dizendo ser cedo para comentar o cenário eleitoral. “A campanha só vai começar quando começarem as propagadas no rádio e televisão. Gosto de campanha curta: é boa. Agora o povo vai amadurecendo. Hoje nem sabem ainda quem é candidato. Esperamos boa aliança e bom tempo na televisão”.

Alckmin já teve o sabor amargo da derrota em 2006, quando obteve 39% dos votos no segundo turno, derrotado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que neste ano foi preso por corrupção.

Defesa da fronteira e distribuição de recursos

O pré-candidato pelo PSDB Geraldo Alckmin defende a ideia de revisão do pacto federativo, com aumento dos índices do FPM. “Sou ex-prefeito e sou favorável à descentralização de recursos: o que o município puder fazer o estado não deve fazer; o que o estado pode fazer, a União não deve fazer e o que a sociedade e o setor produtivo puder fazer, o governo não deve fazer”, lista.

Para a segurança nacional, a proposta é melhorar o suporte de inteligência nas fronteiras, com implantação de uma Agência Nacional, unindo Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Forças Armadas e estados para o combate de drogas, armas, contrabando e descaminho, com ampliação do Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras), além de criar uma Guarda Nacional.