Política da boa vizinhança

Por Carla Hachmann

O presidente Jair Bolsonaro deve visitar novamente a Câmara dos Deputados nesta terça-feira, em mais um gesto de “boa vizinhança”. Agora, ele vai entregar em mãos o projeto de lei que altera regras relacionadas à CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Para os mais atentos, a iniciativa mostra que o presidente tenta melhorar a relação com o Congresso Nacional.

Na semana passada, Bolsonaro foi à Câmara acompanhar a sessão em homenagem ao humorista Carlos Alberto de Nóbrega.

Há poucas semanas, Executivo e Legislativo se digladiavam publicamente com críticas que incluíam “conchavos” e boicotes. Ficou feio. Ruim para todos.

Bolsonaro tem tentado encontrar uma nova via de se relacionar com o Congresso sem adotar o que chama de velha política. Ou seja, negociar cargos em troca de aprovações de projetos importantes.

Outro passo de boa vontade foi dado na semana passada, quando os líderes dos três poderes se reuniram para selar um pacto nacional. Embora sem valor legal e que talvez nunca seja assinado de fato, a aproximação já trouxe alguns resultados.

A estrutura de poder delimitada e constituída desde a proclamação da República tem uma razão maior de existir: a garantia da soberania nacional e da democracia. Contudo, vaidades parecem sempre se sobressair e, de tempos em tempos, um “banho” de realidade não faz mal a ninguém. Afinal, ninguém é dono do cargo que ocupa. E, antes de assumi-lo, prestou alguns juramentos de fazer exatamente o que precisa ser feito, e não o que quer fazer.

Com seu jeitinho simples e até meio tosco, Bolsonaro parece ir encontrando alguns caminhos para fazer o que prometeu: fazer diferente.



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