Cotidiano

PIB Agropecuário vai crescer 10,9% este ano

Brasília – O PIB (Produto Interno Bruto) Agropecuário deverá ter um crescimento de 10,9% em 2017, de acordo com previsão do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O número faz parte da seção de Economia Agrícola, da Carta de Conjuntura 36, lançada ontem. A seção traz dados e análises de diversos segmentos da economia agrícola.

Segundo o estudo, embora apresente uma participação relativamente modesta no PIB do País (soma de toda riqueza produzida), que foi de 4,7% em 2016, o setor agropecuário se caracteriza por um alto nível de encadeamento com outros setores produtivos.

O Indicador Ipea de PIB Agropecuário apontou uma alta de 13,5% acumulada no ano até o mês de junho, com destaque para a lavoura, que cresceu 19,2% no período, enquanto a pecuária apresentou queda de 0,8%. Apesar desse elevado crescimento no ano, o indicador mostrou uma variação negativa de 2,9% no segundo trimestre em relação ao trimestre anterior. Mesmo assim, a expectativa para o ano é de crescimento.

"O setor agrícola tem muitas peculiaridades. Enquanto a economia está numa direção, o setor está indo para uma direção diferente. Então, a análise do setor agrícola tem que ser diferente. Não é a mesma coisa que analisar a indústria e serviços. O que se produziu no setor, vai vender, ou no Brasil, ou exterior. Então mesmo que a demanda esteja aqui deprimida, [o produtor] consegue vender para o exterior", analisou o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo Souza Jr., um dos editores da seção.

Empregos

Em tendência contrária à do PIB, o total de pessoas ocupadas no agronegócio caiu 3,9% entre o primeiro trimestre de 2017 e o mesmo trimestre do ano passado – passando de cerca de 18,7 milhões para 18,05 milhões de pessoas. Dentro do agronegócio, a maior redução no total de ocupados se deu no segmento primário, com cerca de 700 mil ocupações a menos, uma queda de 7,6% no primeiro trimestre de 2017.

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Expectativas

A produção de grãos deverá passar de 232 milhões de toneladas, em 2016/2017, para 288,2 milhões de toneladas em 2026/2027. Isso indica um acréscimo de 56 milhões de toneladas à produção atual do Brasil, o que representa uma taxa de crescimento de 24,2%. Já a produção de carnes bovina, suína e aves entre 2016/2017 e 2026/2027 deverá aumentar em 7,5 milhões de toneladas, o que representa um acréscimo de 28% em relação à produção de carnes de 2016/2017.

As estimativas realizadas para os próximos dez anos são de que a área total plantada com lavouras deve passar de 74 milhões de hectares em 2016/2017 para 84 milhões em 2026/2027, ou seja, um acréscimo de 10 milhões de hectares. Essa expansão está concentrada em soja, mais 9,3 milhões de hectares; cana-de-açúcar, mais 1,9 milhão; e milho, 1,3 milhão de hectares.

Segundo o Ipea, os produtos mais dinâmicos do agronegócio brasileiro deverão ser algodão em pluma, milho, carne suína, carne de frango e soja grão.