Cotidiano

Obama em Hiroshima: ?Manobra de fanático da guerra?, diz Pyongyang

PYONGYANG — A Coreia do Norte chamou a visita do presidente americano, Barack Obama, a Hiroshima de uma manobra política pueril vinda de um fanático pela guerra nuclear. Em comunicado, a agência oficial do governo norte-coreano afirmou que a primeira viagem de um chefe da Casa Branca à cidade destruída por uma bomba atômica em 1945 revela mais uma das hipocrisias de Obama.

“É um cálculo político pueril”, escreveu a agência. “Ainda que Obama vá à cidade destruída, não pode ocultar que é um fanático da guerra nuclear e um artesão da proliferação de armas nucleares”.

Nos últimos meses, Pyongyang tem trabalhado em uma intensa campanha militar, que inclui a divulgação dos seus programas nucleares. O país liderado por Kim Jong-Un é alvo de duras sanções da Organização das Nações Unidas (ONU).

O comunicado também criticou a atitude do Japão em receber Obama, acusando Tóquio de se apresentar como vítima e esquecer o sofrimento infligido pelo exército imperial antes de 1945 — principalmente nos territórios colonizados, como a Coreia. A península coreana viveu por mais de três décadas a dura colonização japonesa.

“O Japão busca esconder sob o tapete sua verdadeira faceta de provocador da guerra e agressor”, acusou a agência.

Obama chegou a Hiroshima acompanhado pelo primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, numa viagem que acontece após uma reunião do G-7. Depois de discursar, o mandatário trocou apertos de mãos e conversou brevemente com dois sobreviventes da bomba atômica. Obama e Sunao Tsuboi, de 91 anos, sorriram e trocaram algumas palavras, enquanto Shigeaki Mori, de 79 anos, chorou e recebeu um abraço do presidente.

Depois de colocar uma coroa de flores no Memorial da Paz de Hiroshima, Obama defendeu um mundo sem armas nucleares, e disse que a memória às vítimas nunca deve desaparecer.

— Há 71 anos, a morte caiu do céu e o mundo mudou — declarou o presidente diante do memorial das vítimas da bomba lançada pelos EUA em Hiroshima. — Viemos aqui para refletir sobre a terrível força desencadeada em um passado não tão distante. Viemos para chorar todos os inocentes mortos naquela terrível guerra. Temos uma responsabilidade de olhar diretamente nos olhos da História. Devemos perguntar o que devemos fazer de maneira diferente para conter tal sofrimento novamente. O progresso tecnológico sem o equivalente progresso nas instituições humanas podem nos condenar. A revolução científica que levou à divisão do átomo requer uma revolução moral também.