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O carimbó embala passagem da tocha por Belém

SANTARÉM – Danças ao ritmo do carimbó, procissão de barcos, embaixadinhas com bola de futebol e muita vibração da população sob um calor de mais de 30 graus. Teve de tudo um pouco na passagem da tocha olímpica por Santarém, no Pará, a 150ª cidade a receber o revezamento da chama dos Jogos Rio-2016. Mais de 138 quilômetros foram percorridos entre deslocamento e revezamento, com a participação de 99 condutores.

O primeiro deles foi o triatleta Iure Corrêa Dias, descendente dos índios Borari, que iniciou o revezamento na Vila de Alter do Chão, a cerca de 40 quilômetros de Santarém. Conhecida carinhosamente como “Caribe amazônico” por suas praias de rio com águas cristalinas, Alter do Chão é um destino turístico cada vez mais procurado.

O revezamento começou no fim da manhã, com apresentações típicas, como dança do carimbó (um ritmo local), e demonstrações da Festa do Sairé, uma festividade religiosa tradicional da região, que existe há mais de 300 anos.

– Estou muito feliz. Só posso agradecer por participar dessa festa e representar o povo de Alter do Chão. Participar dos Jogos Olímpicos sempre foi um sonho, e estou realizando um pouco desse sonho agora – disse Iure.

De Alter do Chão, a chama olímpica seguiu em um barco da marinha até Santarém, pelo rio Tapajós. O trajeto de quase uma hora foi acompanhado por dezenas de barcos e jet-skis. Na chegada à segunda maior cidade do Pará, muitas canoas e caiaques se juntaram ao comboio. Antes de desembarcar no terminal fluvial, a chama olímpica ainda fez um passeio até o encontro dos rios Tapajós, com sua água clara e mais quente, e Amazonas, de água barrenta e mais fria, a algumas centenas de metros da orla da cidade. Ali, a tocha foi acesa novamente.

Ela desembarcou nas mãos de Hiel Gesã, atleta de canoagem que havia embarcado com a tocha em Alter do Chão. Centenas de pessoas se espremiam na entrada do terminal para ver a passagem da tocha, enquanto uma banda de música tocava.

– Foi um privilégio conduzir a tocha de Alter do Chão até Santarém e poder mostrar meu município para o mundo. Eu não esperava ver tanta gente na rua numa tarde de sexta-feira. Fiquei até com medo de tremer com a tocha na mão. Estou com o coração acelerado – confessou Hiel, bastante emocionado, e cercado por pessoas pedindo para fazer uma selfie com o novo herói local.

Terceiro colocado no Mundial de futebol freestyle da República Tcheca, Ricardo de Araújo conduziu a tocha realizando embaixadinhas com uma bola. Depois de percorrer ruas da cidade, a chama olímpica chegou à Praça Barão de Santarém, onde, no começo da noite, foi acesa a pira de celebração. A festa seguiu noite adentro, embalada como começou, ao ritmo do carimbó.

Depois de passar por Santarém, a tocha olímpica vai hoje para Boavista, capital de Roraima. Lá, descerá de paraquedas, visitará a comunidade indígena de Campo Alegre, na zona rural da cidade, e fará um passeio de barco pelo Rio Branco. Serão 157 condutores e pouco mais de 33 quilômetros de revezamento.