Cotidiano

'Não quero ser símbolo do feminismo', diz vencedora do MasterChef

Os jurados do “MasterChef” e mesmo o “Jornal da Noite”, que cobriu a final do reality gastronômico, bateram na tecla: a vitória de Dayse na noite de terça (13) simbolizava também a derrota do machismo. Durante o programa, só com cozinheiros profissionais, ela ouviu de concorrentes que era melhor que varresse o chão e, por vezes, foi chamada de fraca. A questão de gênero acompanhou esta edição do “MasterChef” e inflamou discussões nas redes sociais. Ontem, a apresentadora Ana Paula Padrão elogiou a finalista por ter tido a coragem de enfrentar um ambiente de trabalho que, assim como o da jornalista, era machista. O próprio âncora do telejornal foi criticado, após um comentário infeliz: disse, ao vivo, que a vitória de Dayse confirmava que cozinha é lugar mulher. Com o troféu nas mãos, já na saída do estúdio da Band, Dayse dizia esperar que “[sua trajetória] não seja símbolo do feminismo, porque não sou feminista”. “A pessoa só é ofendida se ela se sente ofendida. O importante é ser quem você é”, disse, rapidamente, em meio a selfies com convidados, enquanto a produção tentava tirá-la de cena. Quem não gostou nada da discussão sobre gênero foram os participantes derrotados, que ironizavam entre si a cada menção ao machismo, enquanto esperavam o resultado no mezanino. Entre eles, não houve comoção pela vitória de Dayse -diferente da plateia de convidados, que berrava e aplaudia seu nome antes do anúncio final. “Virou 'Guerra dos Sexos', o nome do programa”, disse a mãe de Marcelo, oponente de Dayse na final. Para ela, a narrativa do programa não foi favorável ao chef: “Meu filho foi prejudicado, e muito”. Marcelo, aparentemente irritado, saiu sem dar entrevistas. Na saída, dividiu um táxi com Ivo (ex-chefe de Dayse, que fez o comentário sobre a vassoura). “Entra aqui, machista”, debochou, enquanto se sentava do lado do colega no carro. A Folha de S.Paulo presenciou a cena, pouco depois de conversar com Ivo. A narrativa do “MasterChef” sobre o machismo, disse, o “irrita profundamente”: “Quem me conhece sabe que isso não existe”. Fora da TV, Ana Paula Padrão mantém projetos em defesa do empoderamento feminino, como o “Tempo de Mulher”. Para a apresentadora, o combate ao machismo é uma causa e diz reconhecer a importância de levantar o debate em um programa como o “MasterChef”. Comenta, porém, que houve exageros “como tudo [na vida]” na repercussão de alguns episódios, “muito menores do que o que se fala sobre eles”. “O Marcelo definitivamente não foi machista por ter querido ir para a final com o Dario”, afirma Ana, para quem houve dois episódios, de fato, em que presenciou o machismo no “MasterChef”. Não quis dizer quais foram: “Esses eu vou guardar na memória”. Resta saber se a questão de gênero vai pautar a “lavagem de roupa suja” entre os participantes do “MasterChef”, que a Band exibe na noite desta quarta (14).