Cotidiano

Na comissão do impeachment, Aldo diz que delator que o acusa é ?ressentido?

BRASÍLIA – O depoimento do ex-ministro Aldo Rebelo na comissão de impeachment teve um momento de tensão quando a advogada da acusação, Janaina Conceição Paschoal, levantou a denúncia de que recursos do programa Minha Casa Minha Vida teriam sido desviadas para políticos do PC do B, entre eles o próprio Aldo. A acusação teria sido feita pelo ex-deputado Pedro Corrêa (PP) e foi veiculada pelo Jornal Nacional, da TV Globo.

? Eu não sei se é político ou jurídico, mas acho que há um importante questionamento. A defesa tem sustentado que denunciantes queriam acabar com a Lava-Jato, mas, agora em junho, vieram denúncias de que o PC do B teria se beneficiado de desvio de 30% do programa Minha Casa Minha Vida ? disse Janaina.

Ela foi interrompida na hora pela senadora Ana Amélia (PP-RS), que presidia a sessão, sendo alertada de que não poderia fazer esse tipo de questionamento na comissão. O advogado da presidente afastada, Dilma Rousseff, o ex-ministro José Eduardo Cardozo, também reclamou da pergunta.

Aldo respondeu criticando Janaina por ter corroborado a acusação do delator.

? A doutora Janaina, de forma indireta, corroborou com uma denúncia do ex-deputado Pedro Corrêa, que guardou durante dez anos um ressentimento por ter sido cassado quando eu presidia a Câmara e por eu ter indeferido recurso contra a sua cassação. Ele me envolve de forma sorrateira, caluniosa e criminosa numa denúncia por um ministério em que não passei nem sequer na porta ? disse o ex-ministro.

A senadora Vanessa Grazzitotin (PC do B-AM) também protestou contra a questão levantada por Janaina. Foi dada mais uma vez a oportunidade para Aldo responder.

? Lamento que se trouxe para essa comissão o depoimento de um desqualificado e ressentido que não tem condições nem sequer de apresentar indícios do meu envolvimento naquela denúncia ? afirmou Aldo.

Janaina, então, pediu desculpas.

? Peço desculpas se exorbitei. Não tive intenção de ofender em hipótese nenhuma ? afirmou a advogada.

O depoimento durou cerca de duas horas. Aldo afirmou que não cabia ao ministério que pedia o recurso verificar se havia cumprimento da meta fiscal no momento da solicitação.

? A avaliação não era realizada nos ministérios. A avaliação era realizada no Ministério do Planejamento, do ponto de vista técnico, e também era submetida a uma avaliação jurídica, sobre possíveis irregularidades que pudessem coibir essa solicitação ? disse.

Aldo destacou que os decretos não significaram a liberação imediata dos recursos. Afirmou ainda que os órgãos de controle, como o TCU, tem trabalhado para impedir a aplicação dos recursos.

? Os órgãos de controle, no Brasil, funcionam na lógica de não se executar orçamento. É para o orçamento não ser executado. É isso que nós vivemos nos últimos 20 anos ? reclamou.

A comissão ouve agora o ex-ministro Luís Inácio Adams.