Cotidiano

Maioria dos jovens ministros de Temer é herdeira de velhas linhagens de caciques políticos

2016 909163931-201605131301192526.jpg_20160513.jpgBRASÍLIA – Envelhecido por figuras tradicionais da política brasileira, nem a escolha de jovens dá um verniz de modernidade ao Ministério de Michel Temer. Quatro deles são herdeiros de velhas linhagens do Norte e do Nordeste, sendo que três carregam o mesmo nome dos pais: Fernando Filho (Minas e Energia), Mendonça Filho (Educação), Sarney Filho (Meio Ambiente) e Helder Barbalho (Integração Nacional).

Governo Temer

Fernando Filho é herdeiro de Fernando Bezerra Coelho, senador e ex-ministro de Dilma que por sua vez é sobrinho do ex-governador de Pernambuco Nilo Coelho. Fernando pai começou na política aos 26 anos, como deputado estadual, caminho trilhado ainda mais cedo pelo filho, que chegou à Assembleia pela primeira vez aos 22 anos.

Sua indicação a ministro não foi nada tranquila no PSB. A cúpula do partido preferia não chancelar nenhum nome para integrar o governo Temer, garantindo apenas apoio no Congresso. No entanto, prevaleceu internamente a força de seu pai.

Sarney Filho e Helder Barbalho são herdeiros de dois dos mais famosos caciques do PMDB, José Sarney e Jader Barbalho, respectivamente.

Helder começou a despontar nacionalmente quando concorreu, em 2104, ao governo do Pará, numa aliança entre Jader e Dilma Rousseff, perdendo por uma diferença pequena de votos para o tucano Simão Jatene. O acordo deu frutos e Helder se tornou ministro da petista.

Herdeiros políticos no governo Temer

Como todo herdeiro político, começou cedo a seguir os passos do pai. Helder se elegeu vereador pela primeira vez aos 20 anos.

Filho do ex-deputado federal José Mendonça Bezerra, o novo ministro da Educação é casado com a filha do ex-ministro do TCU Marcos Vilaça, membro da Academia Brasileira de Letras.

Dos quatro herdeiros, Sarney Filho é o mais velho, 58 anos, e o mais conhecido, pelos anos de atuação política: está no oitavo mandato consecutivo de deputado federal, de 1983 até hoje. São 33 anos ininterruptos, a não ser por um período de três anos (1999 a 2002) em que se licenciou do cargo para ser ministro do Meio Ambiente do governo Fernando Henrique Cardoso.

RIO TAMBÉM TEM INTEGRANTE DE DINASTIA

O Rio também tem um jovem herdeiro político no Ministério do presidente interino Michel Temer. Leonardo Picciani, filho do presidente do PMDB do Estado, Jorge Picciani, conseguiu se viabilizar como ministro do Esporte mesmo tendo votado contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Entre os peemedebistas, o voto de Picciani jamais foi considerado uma traição, inclusive no entendimento de Temer. Na véspera da votação do processo de impeachment na Câmara, Picciani, até então líder do PMDB na Casa, foi ao Palácio do Jaburu jantar com Temer e conversar sobre sua situação. Saiu de lá sem se sentar à mesa, incomodado com a presença de Eduardo Cunha, mas com a garantia de que sua lealdade à Dilma não causaria internamente nenhum tipo de retaliação ou boicote.

Voto dado, impeachment aprovado, Temer cumpriu sua palavra. Chamou o peemedebista à sua casa e ofereceu a ele ou a quem ele quisesse indicar o ministério do Esporte.

Picciani por pouco não perdeu o posto por uma pressão dos deputados do PMDB de Minas Gerais, que passaram a exigir a indicação de outro herdeiro para o Ministério: o deputado Newton Cardoso Júnior (MG), filho do ex-governador de Minas, Newtão Cardoso.

Aos 36 anos, Picciani está no quarto mandato consecutivo de deputado federal. Elegeu-se pela primeira vez ao cargo aos 22 anos. Cedo, como todos os demais herdeiros.