Cotidiano

Líder do Psol diz que classe dominante não quer impeachment

Para ela, a saída da presidente não interesse ao mercado financeiro

Cascavel – Acusada de ser populista e radical, a ex-candidata a presidente pelo Psol, Luciana Genro, não se incomoda com os rótulos dos adversários. Ao contrário, sente-se bastante confortável quando questionada sobre a atual conjuntura da política e da economia brasileira.

Para ela, a classe dominante não quer o impeachment da presidente Dilma, a qual, segundo Luciana, governa o País sem credibilidade e força.

Luciana Genro, que é dirigente nacional do Psol, esteve em Cascavel, onde participou de uma palestra na Unioeste na sexta-feira (28) e no sábado (30) abriu a 3ª Parada em favor da Diversidade, no centro da cidade.

Em entrevista concedida na sexta-feira no Hotel Querência, Luciana Genro defendeu uma mudança radical no modelo econômico do País e disse que o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) não é a solução para superar a atual crise.

O pedido de afastamento da presidente está sendo articulado, sobretudo, pela oposição ao governo petista.

“Eu não vejo o impeachment como uma solução para resolver os problemas. Eu também não vejo que o Michel Temer (vice-presidente) possa melhorar e muito menos o Aécio Neves”, disse.

Para ela, a classe dominante, representada pela burguesia, não quer o impeachment de Dilma.

“Nos últimos dias alguns dos principais representantes da burguesia vieram a público declarar-se contra o impeachment de Dilma, confirmando o que eu e outros dirigentes do Psol temos afirmado. A classe dominante quer um governo fraco para garantir os seus direitos e seus lucros”, ressaltou.

Em sua fala, Luciana se refere, sobretudo, aos banqueiros que agora se manifestam que “não há motivos para tirar Dilma do cargo”.

“Não é de causar surpresa, visto que os bancos, apesar da crise, têm aumentado seus lucros e, como sempre, ficado de fora de qualquer medida de ajuste. A burguesia está bem servida e quer que o governo leve adiante o ajuste nas costas do povo”.

Diante da insistência dos governistas em tentar atrair o Psol para uma frente contra um suposto golpe, Luciana afirmou que o único caminho para conter o crescimento da direita e do PSDB é construindo um terceiro campo, nas lutas por emprego, salário, moradia e contra o ajuste da política econômica do governo federal,

A dirigente nacional do Psol defendeu uma mudança radical na política econômica nacional para superar a atual crise. Nesse caso, o partido quer a convocação de uma Assembleia Constituinte, a qual seja capaz de refundar as instituições da República e aproximá-las dos anseios populares.