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Largada atrás, explosão no meio e 'jogadinha' no fim: Isaquias em 200m

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Caçula no calendário olímpico da canoagem de velocidade, a C1 200m lembra uma prova de 100 metros rasos do atletismo: trata-se da distância mais curta disputada na Lagoa Rodrigo de Freitas; por isso, a explosão é um elemento-chave para a vitória. E assim como Usain Bolt, atual tricampeão olímpico na prova nobre do atletismo, o canoísta baiano Isaquias Queiroz só cresce mesmo do meio para o final. O próprio Isaquias reconhece isso. E é desta maneira que ele pretende, assim como fez o jamaicano na pista do Engenhão, sair das águas da Lagoa com a medalha de ouro na final da prova, na manhã de quinta-feira.

Tanto na eliminatória quanto na semifinal da C1 200m, ambas disputadas na manhã desta quarta, Isaquias estava relativamente distante da liderança na arrancada inicial. Medalhista de prata na C1 1000m (prova individual de 1 km) na terça-feira, o menino prodígio da canoagem vê em seu histórico nesta prova, tida como sua especialidade, um possível motivo para o crescimento apenas nos metros finais da C1 200m, quando a tendência é justamente uma queda no desempenho, devido ao cansaço:

? Dá para ver nas minhas provas que no final, quando os adversários começam a cansar, eu começo a subir. Por estar remando a C1 1000 metros há muito tempo, acho que eu consigo ter mais resistência ? explicou Isaquias.

? Na C1 200m eu faço os primeiros 50 metros mais lento, mas nos últimos 150 metros começo a buscar e ultrapassar quem está na frente. Treinei bastante a largada, estou com a saída um pouco melhor. Quis vir para a Lagoa ontem mesmo, à tarde, fazer um treinamento leve de largada para pegar esse jeito. Na C1 200m você não pode errar nem um pouquinho, no começo, no meio ou no final ? completou o canoísta.

SEMIFINAL DISPUTADA

Isaquias disputou uma semifinal difícil, tendo adversários como o chinês Li Qiang, prata na C1 200m no último Mundial; o espanhol Alfonso Benavides, prata no Campeonato Europeu de 2014 e bronze no Mundial de 2013; e o lituano Henrikas Zustautas, atual vice-campeão europeu na categoria. Variando entre quarto e quinto nos primeiros 50 metros, o brasileiro arrancou a partir da metade da prova, quando emparelhou com os líderes.

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Nos últimos 20 metros, Isaquias acelerou ainda mais o ritmo de remadas para se distanciar do espanhol Alfonso Benavides e do chinês Li Qiang, cruzando a chegada em primeiro, para delírio da torcida. O tempo do brasileiro – 39s659 – foi a melhor marca olímpica da C1 200m, que entrou no calendário dos Jogos somente em Londres-2012. Isaquias explicou um “truque” para melhorar o tempo: inclinar o corpo para trás logo após a última remada:

? No final tem aquela jogadinha que ajuda a ganhar mais alguns segundos ? afirmou Isaquias, que minimizou a importância do excelente tempo na semifinal: ? Dá um incentivo a mais quando você vai melhor que os adversários, mas o tempo não significa nada. Alguém pode pegar mais vento que o outro e isso influencia no tempo. Vale mais a pena mesmo colocar todo mundo junto ali na Lagoa para ver quem é o melhor.

A semifinal de Isaquias foi tão disputada que provocou até uma confusão na interpretação do regulamento da Federação Internacional de Canoagem (ICF), que indicava vaga na final para os dois primeiros de cada bateria, mais os dois melhores tempos entre os terceiros colocados (entre três baterias). Na bateria de Isaquias, o tcheco Martin Fuksa, quarto colocado, fez um tempo melhor do que os terceiros colocados das outras duas baterias. A organização primeiro atribuiu uma vaga na final a Fuksa, mas se corrigiu no início da tarde e confirmou na decisão o ucraniano Iurii Cheban, segundo melhor entre os terceiros colocados, em vez do tcheco, que chegara atrás de Isaquias, do espanhol Benavides e do chinês Qiang.