Cotidiano

Jornada de Ciências Empresariais foca cenários complexos no pós-pandemia

Evento envolveu os cursos de Administração, Publicidade e Propaganda, Processos Gerenciais e os do Núcleo de Gestão e Negócios de cinco unidades da Unipar

O administrador Jean Matos traz o tema inovação e cenários complexos
O administrador Jean Matos traz o tema inovação e cenários complexos

Na semana de comemoração do Dia do Administrador (de 8 a 11/9), a Universidade Paranaense – Unipar promoveu a 1ª Jornada Acadêmica Integrada de Ciências Empresariais, contemplando os cursos de Administração, Publicidade e Propaganda e Processos Gerenciais (presencial) e os do Núcleo de Gestão e Negócios (semipresencial), de Umuarama, Cascavel, Cianorte, Guaíra e Francisco Beltrão.

Professores das unidades mediaram as palestras, ministradas por profissionais do Paraná e do Rio Grande do Sul. O coordenador do curso em Cianorte, professor Marcelo Rodrigues, fez o cerimonial de abertura, convidando a diretora da unidade e coordenadora de Processos Gerenciais, professora Dieine Cescon, para dar boas-vindas ao público.

A primeira palestra foi com o administrador Jean Matos, que abordou a temática “Inovação e cenários complexos”. A ideia foi desmitificar o que significa inovação e criatividade, dar insights, falar do que está acontecendo ao redor do mundo.

“Nós, da área de gestão, temos uma missão que é desburocratizar a vida das pessoas”, lançou o palestrante. Ele também apontou que este é um momento de crescimento digital, em que as empresas estão mais rápidas, inteligentes e dinâmicas.

Segundo evidenciou, a crise tem ponto final, colocado em momentos diferentes para cada setor: “Neste momento, temos panificadoras fechando e temos panificadoras abrindo filiais; esse processo se deve à capacidade que uma empresa tem de inovar, de se adaptar e criar conexão com o mercado. Nós somos os atores desse cenário de crise. Ou a gente muda ou a gente dança, estagna, não vai a lugar algum”.

Matos falou das crises anteriores e aproveitou para refletir sobre o cenário pós-crise, o qual considera inovador. Como exemplo, citou a explosão das startups após a crise em 2009.

Afirma que a pandemia fez crescer o mercado da tecnologia, a utilização das redes sociais, a comunicação com o cliente e a conexão. Diante dessa lógica, o administrador refletiu sobre quatro fatores que empurram a empresa a ter que inovar: padrão de consumo das pessoas, mudanças tecnológicas, mudanças regulamentadoras e aumento da competição.

“O maior ativo do mundo moderno é a atenção das pessoas para o produto e o serviço que eu tenho”, afirmou. E acrescentou: “Inovação não é só tecnologia, inteligência artificial, software… é criar experiência com o consumidor, é inovar, encontrar sua proposta de valor, encantar o cliente, que é mais do que satisfazer, é entregar mais do que o prometido”.

O professor também compartilhou divulgação do jornal El País, destacando dez tendências para o mundo pós-pandemia: revisão de crenças e valores, menos é mais, reconfiguração dos espaços do comércio, novos modelos de negócios para restaurantes, experiências culturais imersivas, trabalho remoto, morar perto do trabalho, shopstreaming, busca por novos conhecimentos e educação a distância.

Estratégia de vendas X mau atendimento

 

Em mais um dia de evento, os coordenadores de Guaíra, professor Erick Sigolo, e de Umuarama, professor João Codato, recepcionaram todos. O nome da noite foi Marcelo Blume, que abordou sobre “Estratégias de vendas em tempos de pandemia”.

“Nas crises, o dinheiro troca de mão mais rápido; ele não evapora. O que deixou de ir para bares, restaurantes, excursões, shopping, viagem, trocou de mão, está indo para lojas de móveis, decoração, jardinagem, bebidas”, argumentou.

Segundo Blume, muitos deixaram de faturar, mas, por outro lado, muitos estão ganhando mais: “Quem teve manutenção de renda tem mais poder de compra; 78% da população não teve nem aumento nem redução de renda”.

Como exemplo, citou a Amazon, que detém a metade do comércio on-line dos EUA. Ele refletiu que sua velocidade e praticidade a faz ser desse tamanho, pois, com dois cliques, o produto está comprado. “E como é comprar na empresa que você trabalha ou dirige?”, questionou.

De acordo com o especialista, colaboração e cooperação entre empresas do mesmo segmento estão vindo para ficar e geram mais resultados do que competição. Ainda enfatiza algumas mudanças globais, como a digitalização dos negócios e a multicompetição, todos competindo pelas economias das mesmas pessoas, disputando uma fatia do bolso do cliente.

Pensando nas estratégias ligadas à pandemia, Blume instigou a pensar que, se as empresas estão vendendo menos, não há lugar para o mau atendimento.

Trazendo para o fortalecimento regional, disse que nenhum site vai conseguir entregar um produto tão rápido quanto o site de uma empresa de sua cidade.

Vice-diretor na Fahor, Marcelo Blume fala sobre estratégias de vendas na pandemia

Protagonismo feminino na gestão de negócios

Com uma programação diversificada, a terceira noite de evento foi mediada pela coordenadora do curso em Cascavel, professora Adriane Uecker, apresentando a palestrante, professora Joice Fabrício, que trouxe o tema “Mulheres na gestão: histórico, desafios e tendências”.

Membro da Câmara da Mulher Empreendedora no Paraná, a profissional explicou para que serve a instituição, apontou diferença entre sexo e gênero, falou das lutas dos movimentos feministas no mundo e promoveu reflexão com base no vídeo “A revolução das 15 esposas”.

Lembrou que nem sempre a mulher esteve em desigualdade em relação aos homens, citando como exemplos as rainhas Cleópatra e Nefertiti. Falou sobre a mulher na Idade Antiga, como detentora de cura, utilizando as plantas medicinais, e a influência grega para a mudança do cenário, excluindo as mulheres de atividades públicas.

Também falou da luta pela equidade de direitos, o fato de a sociedade atrelar somente à mulher a necessidade de conciliação profissional e do lar, o fato de as mulheres ainda serem maioria no país e minoria como investidoras.

Sobre o mercado de trabalho, referenciou como um espaço que precisa ser pensado todos os dias: “Quando uma mulher ascende a um cargo mais alto, ela leva outras mulheres junto”.

A administradora Joice Fabrício fala de mulheres na gestão

Um celular na mão e uma ideia na cabeça

O coordenador de Francisco Beltrão, professor Idair Marcelo, encerrou os trabalhos, trazendo o professor Rodrigo Oliva para falar sobre “Comunicação na era da mobilidade: um celular na mão e uma ideia na cabeça”.

O palestrante, que é coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da Unipar, iniciou sua fala contextualizando o tempo atual, que proporciona um espaço de muitas discussões, novidades, criatividade, enfrentamentos para todas as profissões, e traz um lugar de comunicação, de estar no mundo mediado pelos dispositivos móveis.

O título da palestra faz referência ao cineasta brasileiro Glauber Rocha, que dizia: “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”.

Para sintetizar os novos tempos, Oliva falou o que é essa mobilidade, como os dispositivos móveis ganharam essa dimensão, como ser criativo e pensar inovação em um mundo tão do presente.

“Hoje, tudo é rápido e a intensa mobilização social a partir da pandemia reflete em novas ideias. O tempo é desmontado em uma mera sucessão de presentes disponíveis”, justificou, mencionando que existe um salto de negócios com a transposição para os dispositivos móveis e a ideia de territorialidade.

Classificou ainda a inteligência artificial como tendência do futuro. E falou do conceito de sociedade em rede, potenciais do mobile, portabilidade, conectividade e sensibilidade contextual.

Professor Rodrigo Oliva aborda sobre comunicação na era da mobilidade