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Isaquias e Erlon conquistam a prata na final da canoa dupla

201608190938499487_AFP.jpgRIO ? O desfecho da trilogia de Isaquias Queiroz na Lagoa Rodrigo de Freitas veio com medalha de prata, sua segunda nesta Olimpíada do Rio. Embora tenha faltado o ouro na coleção do menino prodígio da canoagem, que já havia conquistado prata na C1 1000m e bronze na C1 200m, o pódio na final da canoa dupla (C2) 1000m neste sábado, acompanhado pelo parceiro Erlon de Souza, coloca Isaquias em um patamar nunca antes alcançado por atletas brasileiros: ele é o primeiro do Brasil a conseguir três medalhas em uma mesma edição dos Jogos Olímpicos.

Isaquias e Erlon chegaram à Olimpíada do Rio como os atuais campeões mundiais da canoa dupla, título conquistado em 2015, em Milão, na Itália. Naquela ocasião, os brasileiros haviam desbancado na decisão duas duplas que também estavam na final de hoje, mas que não eram favoritas por medalha: Henrik Vasbányai e Robert Mike, da Hungria, e Jaroslav Radon e Filip Dvorak, da República Tcheca.

As duplas mais fortes da decisão deste sábado, porém, não estavam naquele Mundial. Era o caso, por exemplo, dos ucranianos Dmytro Ianchuk e Taras Mishchuk, que foram vitoriosos na etapa de Duisburg da Copa do Mundo de canoagem no início deste ano, quando Isaquias e Erlon ficaram apenas na sétima posição. Isso para não falar do alemão Sebastian Brendel, que tirou o ouro de Isaquias na C1 1000m e na prova deste sábado, com seu compatriota Jan Vandrey.

META CUMPRIDA

Isaquias, de 22 anos, encerra as competições de canoagem, neste sábado, tendo cumprido a meta estipulada pelo seu treinador, o espanhol Jesus Morlán, antes do início dos Jogos: conquistar três medalhas na Olimpíada do Rio. Além disso, a medalha deste sábado representa o primeiro pódio olímpico de Erlon Souza, que embora mais velho (25 anos), foi descoberto praticamente junto com o companheiro, em 2008. Eles vieram de cidades quase vizinhas no sul da Bahia: Isaquias é de Ubaitaba, a “cidade das canoas”, que fica apenas 50 minutos distante de carro de Ubatã, terra natal de Erlon.

Ambos foram descobertos em núcleos do projeto “Segundo Tempo” em suas cidades, entre 2005 e 2006. Depois, quando o projeto foi descontinuado pelo Ministério do Esporte, Erlon e Isaquias integraram um grupo de canoístas que, em 2010, foi levado para viver e treinar no Rio de Janeiro, já de olho na preparação para a Olimpíada de 2016.

A dupla de canoístas dividiu apartamento no Rio por três anos, período no qual Isaquias sagrou-se campeão mundial júnior na C1 200m, em 2011, enquanto Erlon Souza, competindo com Ronilson Oliveira, levou um barco de C2 1000m do Brasil pela primeira vez a uma Olimpíada, em Londres-2012. Após a chegada do treinador espanhol Jesus Morlán, em 2013, Isaquias e Erlon se mudaram para a nova base de treinos escolhida pelo técnico: Lagoa Santa, cidade de 50 mil habitantes em Minas Gerais, onde tiveram uma lagoa exclusiva para treinar até a Olimpíada e menos distrações do que oferecia o Rio de Janeiro.