Cotidiano

Hollande anuncia criação de Guarda Nacional na França

PARIS — O presidente François Hollande anunciou nesta quinta-feira a criação de uma Guarda Nacional na França para ajudar as forças de segurança a lutar contra os atentados.

“O presidente da República decidiu que a Guarda Nacional será formada por reservistas operacionais existentes”, indicou o Eliseu em um comunicado após um encontro entre Hollande e parlamentares especializados no tema.

Esta Guarda Nacional pode estar em funcionamento no início do outono (no hemisfério norte). O objetivo é que “esta força, a serviço da proteção dos franceses, esteja operacional o quanto antes”, indicou o Eliseu no comunicado.

Até agora o presidente francês havia falado de aumentar o número de integrantes na gendarmaria, na polícia e nos militares, para apoiar o trabalho das forças de segurança, sob pressão há 18 meses devido a uma série de atentados.

As investigações sobre o assassinato do padre Jacques Hamel, de 86 anos, degolado na terça-feira por dois extremistas ligados ao Estado Islâmico (EI) durante a missa numa igreja de Saint-Étienne-du-Rouvray, puseram mais pressão sobre Hollande. As autoridades ficaram sob fortes críticas ontem após revelações de que Adel Kermiche, um dos responsáveis pelo crime, foi posto em liberdade provisória em março, embora estivesse aguardando julgamento por suposto pertencimento a uma rede terrorista, após duas tentativas de ir para a Síria juntar-se ao grupo extremista.

SEGUNDO TERRORISTA TENTOU IR À SÍRIA

Nesta quinta-feira, o segundo homem envolvido no atentado foi formalmente identificado como Abdel Malik Petitjean, de 19 anos. Assim como o outro terrorista, ele estava em uma lista de observação como potencial ameaça à segurança desde junho, depois de tentar entrar na Síria a partir da Turquia.

Três pessoas de sua família foram detidas e colocadas em prisão preventiva, indicou uma fonte. Até o momento, no entanto, nada indica que estejam envolvidas no crime.

Petitjean nasceu em Savoie, no Sudeste da França, e nunca havia sido condenado pela justiça, razão pela qual suas impressões digitais e seu DNA não constavam nos registros da justiça.

Os serviços antiterroristas franceses o ficharam em 29 de junho por radicalização e por ter tentado viajar à Síria, segundo uma fonte da investigação. Em 22 de julho, quatro dias antes do atentado à igreja, a Unidade de Coordenação da Luta Antiterrorista (Uclat) divulgou uma nota, na qual dizia “ter sido destinatária de uma informação de uma fonte confiável sobre um indivíduo que estaria pronto para participar de um atentado no território nacional”. Essa informação foi acompanhada de uma foto do indivíduo, que seria Petitjean.

Ele e Adel Kermiche, de 18 anos, tomaram seis reféns em uma igreja da cidade normanda de Saint-Etienne-du-Rouvray, na terça-feira. Armados com facas, degolaram um padre e deixaram uma pessoa gravemente ferida, num ataque reivindicado pelo Estado Islâmico (EI). Os dois jovens juraram lealdade ao grupo extremista em vídeo.

Também nascido na França, Kermiche tinha distúrbios comportamentais e também tentou viajar à Síria. Ele estava com tornozeleira eletrônica no dia do ataque ao templo.