Da mesma forma que você exercita seu corpo para ficar mais sarado e saudável, é possível também exercitar o cérebro, e melhorar o raciocínio lógico, a memória e o intelecto em geral.

Atividades como jogos de tabuleiro (xadrez, gamão), palavras cruzadas, sudoku ou exercícios com materiais de cálculo, como o ábaco, são exemplos de ferramentas para trabalhar mais o cérebro.

Rebeca Barros, de 17 anos, começou a praticar ginástica cerebral há três meses para melhorar o desempenho em exatas:

— Sinto que meu raciocínio está mais rápido e estou resolvendo os exercícios com maior agilidade. Gosto muito de usar o ábaco. Acho que me tornei capaz de resolver contas com mais facilidade, conta a estudante, que deseja ingressar na faculdade de Direito da PUC-Rio.

Ela é aluna da escola Supera, no Recreio, especializada em ginástica cerebral. Neste método, o curso tem duração de 18 meses, com uma aula de duas horas, uma vez por semana. Além dos exercícios cognitivos, são aplicados também dinâmicas de grupos e jogos online.

— A essência da ginástica cerebral é tirar o cérebro da zona de conforto, com atividades novas, variadas e desafiadoras. Ao provocar isso no seu cérebro, você estimula a produção de neurotransmissores (dopamina, serotonina, adrenalina) e consegue melhorar as conexões entre as células nervosas, aprimorando a performance e estimulando o desenvolvimento de novas redes neurai — explica o engenheiro Antônio Carlos Guarini Perpétuo, fundador do Supera, método e escola de ginástica cerebral.

Como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) exige concentração, foco e raciocínio lógico para solucionar as questões, exercitar o cérebro pode trazer um diferencial na sua preparação. E deve haver repetição e frequência, mas sem exageros.

Patrick Coquerel, professor do Departamento de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e doutorando em Psicobiologia na mesma instituição, pesquisa a influência de atividades psicomotoras na memória. Para ele, a ginástica cerebral pode ser interessante na preparação para o vestibular.

— Há uma diversidade muito grande de atividades que ativam o sistema nervoso (como jogar xadrez) e que inibem o sistema nervoso (meditação e relaxamento, por exemplo). Ambas são importantes em um processo de treinamento do cérebro — aponta.

Durante a preparação para o exame, ele indica envolver-se em novos aprendizados prazerosos, realizar exercícios cognitivos de forma regular (palavras cruzadas, sudoku), além de modificar rotinas cotidianas para potencializar as funções cognitivas.

O estudante deve também realizar uma atividade que nunca aprendeu, uma ou duas vezes por semana, como dança de salão ou o estudo de outro idioma, que lhe proporcione prazer e satisfação, gerando um estresse positivo no cérebro.

— Equilibrar os domínios físico, cognitivo e afetivo são fundamentais para o êxito no Enem e na vida — diz Coquerel.

Carlos Perpetuo, do Supera, destaca ainda que não há efeitos milagrosos do dia para a noite, mas a prática de exercícios cognitivos pode ser um importante aliado na preparação para o exame:

— Baseamos nosso treinamento na neuroplasticidade (capacidade do cérebro em se modificar e criar novas conexões neurais). É importante um período prolongado de esforço, de investimento para que você consiga desenvolver novas redes neurais e consolidá-las. A repetição é importantíssima. Se você não tem frequência, não consegue resultados — afirma.

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Resposta do desafio: faltam 48 cubos