Cotidiano

Ex-escrava sexual do Estado Islâmico vira embaixadora da ONU contra tráfico humano

nadiareprod.jpg-largeNOVA YORK – O Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Unodc, recebeu uma nova embaixadora no combate ao tráfico de pessoas. Sobrevivente de abusos sexuais do Estado Islâmico no Iraque, Nadia Murad chegou a ser indicada para disputar o Prêmio Nobel da Paz.

Nadia, de 23 anos, fará, como embaixadora da Boa Vontade do Unodc, iniciativas de apoio e conscientização sobre a difícil situação de milhões de vítimas de tráfico humano, especialmente de refugiados, mulheres e crianças. Ela também dará um depoimento na abertura da reunião de alto nível sobre refugiados e migrantes, em 19 de setembro.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e a advogada de direitos humanos e a advogada de Nadia, Amal Clooney, também participaram do evento.

Em fevereiro, Nadia virou porta-voz para as mulheres que sofreram abusos pelos jihadistas. Ela foi uma das 5 mil jovens da minoria yazidi mantidas em cativeiro pelo Estado Islâmico em 2014. Tudo começou com um ataque na pequena cidade iraquiana de Kocho, quando os rebeldes mataram 312 homens em uma hora ? incluindo seis dos seus irmãos ? e levaram as mulheres para se tornarem escravas sexuais em Mossul.

Vendidas diferentes vezes, Nadia foi designada à casa de um militante, que morava com sua esposa e uma filha. Lá, ela foi mantida em cativeiro em um quarto. Depois de três meses de tortura e abusos, ela consegui escapar e chegar a um campo de refugiados em novembro de 2014.

? Nós valíamos menos do que animais. Eles estupravam meninas em grupos. Eles faziam o que a mente não consegue imaginar ? disse Nadia a estudantes da Universidade do Cairo em dezembro do ano passado.

Em suas entrevistas recentes, Nadia conta que muitas jovens não suportaram o sofrimento e se suicidaram.

? Eu nunca quis me matar, mas queria que eles me matassem ? disse à revista ?Time?.

No entanto, a jovem encontrou forças para levar o seu exemplo aos debates da comunidade internacional. Após escapar do cativeiro, ela já contou sua história na sede da ONU, em Nova York. Seu objetivo é conscientizar representantes políticos sobre a necessidade de proteger os refugiados dos conflitos que atingem a Síria e o Iraque.