Cotidiano

Ex-assessor de Dilma diz campanha da petista e de Temer era uma só

giles-azevedoBRASÍLIA ? Em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-assessor especial da ex-presidente Dilma Rousseff, Giles Azevedo, disse que a campanha de 2014 era uma só ? ou seja, não haveria como separar a parte do PT de Dilma e a parte do PMDB de Michel Temer, que era o vice da chapa. Ele contou que a chapa custeou passagens aéreas e deslocamentos terrestres do vice, já que ele não tinha direito a usar aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).

As declarações de Giles fazem parte da estratégia da defesa da petista para provar que não haveria como dividir a campanha em duas. Os advogados de Temer insistem na tese, para evitar que o atual presidente da República perca o mandato em caso de eventual condenação por crimes financeiros cometidos na campanha.

TSE Dilma Temer

O depoimento servirá para instruir o processo que tramita no tribunal no qual a chapa é acusada de ter recebido dinheiro desviado da Petrobras para custear a campanha. Se as ilegalidades forem comprovadas, Dilma e Temer podem ser condenados a perder o cargo. No caso, a punição seria efetiva apenas no caso de Temer, que assumiu a presidência da República depois do impeachment de Dilma.

Giles cuidava da agenda de Dilma na campanha e disse que sempre combinava participações conjuntas nos eventos com a assessoria de Temer. Ele também contou que o ministro Eliseu Padilha tinha uma sala no comitê da chapa e eventualmente participava das reuniões.

O ex-assessor da ex-presidente declarou que era responsável apenas pela parte política, e que cabia unicamente a Edinho Silva a coordenação financeira da campanha. Giles negou que tenha pedido qualquer doação para as candidaturas em 2014. O ex-assessor disse que telefonou apenas para Flávio Machado, da Andrade Gutierrez, a pedido de Edinho, para repassar um recado de que a campanha ainda não havia recebido doação da empreiteira.

Em depoimento, Otávio Marques de Azevedo, executivo da Andrade, acusou Giles de ter feito uma cobrança de forma ?horrorosa?. Giles negou ?Eu nem conversei com ele, eu não tinha função de arrecadação com nenhuma empresa?.

Embora a Operação Lava-Jato estivesse estourado ainda em 2014, Giles disse que essa preocupação não chegou à campanha. ?Eu não me lembro exatamente quando é que se desencadeou a Lava-Jato, mas não era uma preocupação da campanha. A campanha estava em andamento. Quer dizer, isso era uma coisa, em tese, referente ao passado. Não havia nenhuma preocupação de que isso pudesse atingir a campanha, por parte dos coordenadores e por parte do Edinho?, declarou Giles.

O ex-assessor da ex-presidente afirmou, ainda, que Dilma nunca recebeu Otávio Azevedo em audiência. As tratativas com a Andrade Gutierrez teriam cunho meramente político e eram feitas com o presidente do conselho da empreiteira, Sérgio Andrade. ?Essa relação entre ela e o dr. Otávio nunca prosperou. A relação com a Andrade sempre foi com o dr. Sérgio. Talvez até porque ela o conhecesse também já de Minas Gerais, tinha uma relação anterior com ele?, disse Giles ao TSE.