Cotidiano

Evento em Curitiba aproxima a zoologia da indústria

Objetivo é promover a cooperação entre academia e indústria para que o conhecimento científico seja aplicado em ações de suporte à cadeia produtiva

Evento em Curitiba aproxima a zoologia da indústria

O que o manejo de javalis no Brasil, o controle biológico em plantios florestais e as ferramentas para monitoramento e controle de pragas têm a ver com o desenvolvimento da indústria no Paraná? Parece difícil associar temas de um debate científico aos desafios do setor produtivo. Mas estes são os três principais assuntos que estão unindo universidades, pesquisadores e profissionais da zoologia a setores da indústria do estado na I Conferência “Zoologia na Indústria, novas tecnologias e perspectivas no auxílio à cadeia produtiva”. O evento faz parte da programação paralela do 34º Congresso Brasileiro de Zoologia, que acontece de 22 a 25 de agosto, no Campus da Indústria do Sistema Federação das Indústrias do Paraná, em Curitiba.

Durante três dias, a conferência terá palestras e reuniões técnicas sobre temas pré-selecionados, de interesse do setor produtivo, relacionados a diferentes áreas da Zoologia. A intenção é estimular ações integradas que contribuam para levar conhecimento a gestores de empresas sobre desafios ligados a fatores naturais que impactam o dia a dia das indústrias.

Para o presidente do Sistema Fiep, Carlos Valter Martins Pedro, o evento será uma grande oportunidade principalmente para algumas áreas ligadas ao agronegócio. “Este é um serviço importante que estamos disponibilizando para a indústria do nosso estado. Queremos iniciar com a formação de grupos de trabalho que vão poder compartilhar experiências a partir do conhecimento adquirido nas universidades para aplicação na rotina de algumas cadeias produtivas”, reforça.

Já para Luciane Marinoni, presidente da Sociedade Brasileira de Zoologia, também membro titular do departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e responsável pelo Congresso, falta comunicação entre quem produz conhecimento e quem aplica. “Se a academia não puder produzir conhecimento, realizar pesquisas, a indústria será com certeza afetada. Por isso estamos trazendo o setor para a programação do evento para que possamos trabalhar juntos”, justifica. “Empresários terão especialistas disponíveis para tratarem de assuntos de seu interesse. E a academia poderá levar suas demandas ao conhecimento deles, que poderão contribuir, por exemplo, na captação de recursos e no direcionamento de pesquisas em áreas que impactam diretamente seus negócios.”, alerta a professora.

Para este debate inicial entre setor produtivo e especialistas foram elencados três temas prioritários que vão nortear reuniões técnicas da conferência. O primeiro deles é o manejo e controle de javalis. A ameaça mais significativa dessa espécie exótica ao meio ambiente e ao agronegócio é de ordem sanitária, por serem agentes causadores e transmissores de diversas doenças que afetam a suinocultura industrial, outras espécies e até a saúde humana. Além de sua agressividade e facilidade de adaptação, a reprodução descontrolada de javalis e a ausência de predadores naturais resultam em uma série de impactos ambientais e socioeconômicos, principalmente para pequenos agricultores. Considerados invasores, eles causam perda da biodiversidade em escala global e representam um desafio para a conservação dos recursos naturais.

O segundo assunto da pauta prioritária é o controle biológico de pragas em plantios florestais. Sabe-se que plantios de eucalipto e pinus no Paraná, utilizados pela indústria madeireira, moveleira e de celulose e papel, sofrem ameaça constante de espécies de insetos, especialmente algumas variedades de vespas, formigas e até de alguns mamíferos. No evento, serão debatidos experimentos recentes que empregam alta tecnologia no combate a essas pragas, preservando o meio ambiente e as culturas.

Para fechar a conferência, serão apresentadas experiências com uso de novas ferramentas para monitoramento e controle de pragas em plantações de cereais. Haverá apresentação de cases de sucesso, como por exemplo, o uso de drones em plantações de trigo no Rio Grande do Sul, que monitoram e verificam o momento mais apropriado para fazer o controle biológico de afídeos (pulgões). Essa técnica pode ser empregada em outras áreas da agroindústria paranaense.

Após cada palestra, haverá uma reunião técnica restrita entre representantes dos setores de interesse da indústria, afetados pela temática apresentada, e pesquisadores da área, no intuito de expor os problemas, desafios, verificar oportunidades e desenvolver potenciais soluções.

Convidados do Sistema Fiep interessados em participar das reuniões técnicas serão isentos do custo de inscrição para a Conferência. Mas é preciso fazer a confirmação da presença pelo e-mail [email protected] porque as vagas são limitadas.

Assessoria