São Paulo – O dólar fechou em forte queda de 1,82%, cotado a R$ 5,3616 – menor nível desde o dia 2 de fevereiro -, nessa quarta-feira (28), dia em que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) optou por manter inalterada a política monetária dos Estados Unidos, até atingir as metas de inflação e desemprego. A decisão também foi favorável a Bolsa brasileira (B3), que registrou alta de 1,39%, aos 121.052,52 pontos.

O banco central americano reconheceu que os indicadores econômicos dos EUA melhoraram com o avanço da vacinação, mas descartou uma mudança na sua política pró-estímulos e pró-juros baixos antes de 2022. Os dirigentes do Fed reconheceram ainda a melhora da economia e o aumento da inflação nos Estados Unidos, mas classificaram a pressão nos preços como “transitória”. Com a decisão, os juros do país continuam entre 0% e 0,25% ao ano – a consultoria Pantheon Macroeconomics não vê um reajuste antes do segundo semestre do ano que vem.

O presidente do Fed, Jerome Powell, também disse que o momento não pede decisões mais bruscas. O “progresso não é substancial, como foi observado nos últimos quatro meses”, disse, ao falar da recuperação da economia americana. “Não é a hora [de começar a falar sobre redução nos estímulos]”, ressaltou, ao apontar que o apoio da entidade monetária ainda é necessário para manter o fôlego da retomada nos EUA.

“O Fed foi claro em sua intenção de seguir provendo estímulos extraordinários para a economia”, avalia a economista-chefe da corretora americana Stifel, Lindsey Piegza.

Após essas declarações, as taxas de retorno dos títulos do Tesouro americano para dez e 30 anos, que têm forçado a alta do dólar nos últimos meses, passaram a cair.

No Brasil, a moeda recuou a R$ 5,35 na mínima, menor nível desde 12 de fevereiro – o real teve o melhor desempenho ontem no mercado mundial de moedas, considerando as 34 divisas mais líquidas. A divisa para maio fechou em queda de 1,98%, a R$ 5,3470. No exterior, o dólar caiu 1% na África do Sul e 0,70% no México.

O mercado também acompanhou a criação de 184,1 mil empregos formais em março e dados do Banco Central que mostram que o fluxo cambial em abril está positivo em US$ 773 milhões até o dia 23, com destaque para o canal comercial, com entradas de US$ 599 milhões. Na semana passada, houve maior peso do canal financeiro, com entrada líquida de US$ 831 milhões.