Curitiba – O tumultuado processo eleitoral e parte do efetivo da Polícia Federal destinado à proteção de candidatos à Presidência da República no primeiro turno das eleições fizeram com que as diligências da Lava Jato nas regiões oeste e sudoeste do Paraná dessem uma travada. Elas tiveram início há cerca de dois meses, no início de agosto, mas estão há praticamente um mês com um ritmo mais lento.

Segundo o apurado pela reportagem, ao menos metade das que estão previstas foi realizada até agora. São cerca de dez ações já feitas pela Polícia Federal a pedido do STF (Supremo Tribunal Federal).

Dezenas de documentos já foram encaminhadas a Brasília para a diretoria de controle e combate do crime organizado, de onde os papéis deverão ser analisados.

Todas as diligências, sem exceção, referem-se à suspeita de envolvimento em atos de corrupção com desvio de dinheiro público de políticos com prerrogativa de função, ou seja, que possuem foro privilegiado. A maioria é composta por deputados com bases eleitorais no oeste e no sudoeste do Paraná, mas também atinge pessoas diretamente ligadas a eles.

As diligências só devem ser retomadas depois do processo eleitoral – cujo segundo turno será dia 28 de outubro – e não devem ser finalizadas mais neste ano.

O Jornal O Paraná apurou ainda que existem cerca de dez visitas a serem feitas para concluir os trabalhos. Dentre os principais pontos investigados estão favorecimentos indevidos concedidos a ou a partir de políticos, desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. Por enquanto, os nomes dos alvos não foram divulgados.

Ainda não se tem um diagnóstico se haverá alguma etapa específica da operação contra políticos no Estado, mas o levantado pela reportagem é de que os documentos enviados a Brasília possuem materialidade que podem resultar na prisão de entes públicos.