Cotidiano

Desenvolvimento humano: desigualdade e violência prejudicam Rio

BRASÍLIA – Segunda região metropolitana do país em população e uma das três mais influentes, ao lado apenas de São Paulo e Distrito Federal, segundo classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Rio de Janeiro fica em nível intermediário no ranking de desenvolvimento humano dos grandes centros urbanos. Em qualquer dimensão que se avalie — Renda, Longevidade ou Educação –, a região metropolitana do Rio está da metade para baixo na lista de 10 áreas mapeadas no estudo Radar IDHM. Enquanto DF e São Paulo figuram no topo.

Marco Aurélio Costa, coordenador de estudos setoriais urbanos do Ipea e um dos responsáveis pelo levantamento, aponta ?peculiaridades? do Rio que explicam, em alguma medida, a performance ruim da região metropolitana em relação ao desenvolvimento humano. As causas vão das disparidades sociais gigantescas à violência que mata muito cedo, passando pelas condições de saúde nem sempre ideais nas periferias.

— A desigualdade na região metropolitana do Rio contribui certamente. Assim como a existência de vários assentamentos subnormais, periféricos, com pouca infraestrutura. O Rio tem um quadro de desigualdade social e espacial dentro da região metropolitana enorme. E situações muito peculiares, como a violência, que impacta no desempenho da região.

Andréa Bolzon, coordenadora do Pnud que trabalhou no Radar IDHM, também credita o baixo desempenho da região metropolitana do Rio à violência, que, segundo ela, tem impacto direto na perspectiva de vida ao nascer das pessoas. Mas, de acordo com a especialista, a educação é outro problema que puxa os indicadores para baixo, salvos mais pelos dados de renda.

— Na renda é mais difícil ter impacto, com todos os investimentos feitos no Rio nos últimos anos, mas na longevidade e na educação, é bem compreensível que a região não esteja entre as melhores. A violência incide nessa expectativa de vida ao nascer. Se olharmos para a Educação, se crianças de 5 a 6 anos estão na escola, como está a distorção idade-série nos anos finais do ensino fundamental, tudo isso tem impacto — afirma Andréa.