Cotidiano

Cúpula do G-20 alerta para ritmo lento de recuperação econômica mundial

HANGZHOU (CHINA) ? A boa notícia anunciada pela cúpula do G-20, encerrada nesta segunda-feira na cidade chinesa de Hangzhou, é que a economia mundial finalmente voltou a crescer. A má, porém, é que o ritmo está aquém do necessário. O problema é que novos desafios podem agravar a trajetória da recuperação quando associados aos riscos já conhecidos da volatilidade dos mercados financeiros, a oscilação dos preços das matérias-primas, a desaceleração do comércio internacional, a queda da produtividade e o desemprego. A reconfiguração geopolítica, com o aumento do fluxo de refugiados, assim como terrorismo e conflitos “complicam as perspectivas econômicas mundiais”, segundo o comunicado final divulgado pelo grupo. G-20 05.09

? O nosso objetivo é retomar motores de crescimento do comércio e do investimento internacional ? disse o presidente da China, Xi Jinping, durante a declaração de encerramento.

Pela primeira vez, os líderes do G-20 reconhecem no documento que o excesso de capacidade de produção de aço e em outras indústrias é um problema global que exige uma resposta coletiva. Para isso, será criado um fórum global para buscar soluções para o problema. O comunicado saiu depois de, na sexta-feira, o governo dos Estados Unidos decidir manter contra Brasil, Índia, Coreia do Sul e Inglaterra tarifas de importação de aço laminado a frio, determinando que os produtos vindos da Rússia não estão prejudicando a indústria norte-americana.

As tarifas impostas contra as importações de produtos dos quatro países são de até 58,36%. No caso do Brasil, as exportações para os EUA são feitas por CSN e Usiminas. A China responde por metade da produção anual mundial de aço de 1,6 bilhão de toneladas e vem tentando reduzir a estimativa de 300 milhões de toneladas de capacidade excedente. No entanto, a alta dos preços do produto vem estimulando o aumento da produção.

O comunicado destaca que os líderes do G-20 esperam que o Reino Unido e União Europeia (UE) sejam parceiros. Os britânicos votaram por separar-se do grupo europeu em junho deste ano. O combate ao protecionismo deu a tônica da cúpula, cujos integrantes representam 85% do PIB e dois terços da população do Planeta.

Nesta segunda, o presidente Michel Temer fez um pronunciamento sobre o crescimento inclusivo, uma das prioridades da pauta do G-20. Ele afirmou que não há desenvolvimento sustentável, sem a criação de empregos e a promoção do trabalho decente. Mas não deixou de dar o recado que veio trazer às 20 maiores economias do mundo em sua estreia na cena internacional. Garantiu aos interlocutores que o Brasil está reordenando a sua economia justamente para criar as condições de geração de empregos e que as medidas para tirar o paíse da crise em que se encontra já estão sendo tomadas..

? Não há crescimento sustentável e inclusivo sem a criação de empregos de qualidade e a promoção do trabalho decente ? disse Temer em discurso durante almoço de trabalho na cidade chinesa de Hangzhou. ? Temos de agir para criar empregos para nossas populações.

Debutante também na cúpula, a primeira-ministra britânica, Theresa May, pediu que os governos façam “mais para garantir que os trabalhadores realmente se beneficiem das oportunidades criadas pelo livre comércio.” May tem pela frente o desafio de negociar as novas bases da relação britânica com a UE e com o resto do mundo. A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional Internacional (FMI), Christine Lagarde, juntou-se ao coro e disse que o crescimento era prioridade para a economia global.

? Precisamos de um maior crescimento, mas ele precisa ser mais equilibrado, mais sustentável e inclusivo para beneficiar todas as pessoas ?disse.