Cotidiano

Crescimento na mortalidade infantil assusta

Luz de alerta está acesa nas Regionais de Saúde de Toledo e de Cascavel

Toledo – Aos 18 anos, Giovana teve uma gravidez de risco. Pressão arterial elevada, descolamento de placenta. No início do ano foi submetida a um parto de emergência, quando entrava no sétimo mês de gestação. A bebê nasceu viva, mas horas depois morreu em decorrência de uma malformação congênita. Enquanto a família ainda se recupera da perda, outras 72 famílias vivem dramas parecidos.

Somente nos primeiros meses deste ano as Regionais de Saúde de Cascavel e de Toledo já registraram a morte de 73 bebês de até um ano de idade. Isso pôs os dois núcleos em alerta.

Nos 43 municípios de cobertura, a mortalidade infantil voltou a ser uma ameaça presente e preocupante. Na 20ª Regional de Toledo, com cobertura em 18 cidades, de janeiro a maio foram 13 mortes para cada mil bebês nascidos vivos, num total de 33 bebês. Número muito acima do preconizado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que considera indicadores toleráveis os inferiores aos dois dígitos.

Na 10ª Regional de Saúde de Cascavel, onde estão 25 municípios, o indicador deste ano também cresceu e chega a 10,82 para cada mil nascidos vivos. Isso significa que 40 crianças morreram na abrangência da regional antes de completar um ano de vida.

Causas

Segundo o enfermeiro Daniel Loh, algumas das causas de morte são inevitáveis, mas parte delas poderia ser prevenida. Este é o motivo pelo qual o grupo multidisciplinar está em alerta constante, com capacitações, diálogos frequentes com as equipes de saúde dos municípios, além de contar com o envolvimento das mães para realização e acompanhamento do pré-natal.

Na Regional, a maior parte dos óbitos é causada por neoplasias, doenças herdadas das mães e malformações congênitas cromossômicas, além das chamadas causas externas, como os acidentes. “Tivemos em todo o ano passado na Regional de Cascavel 73 óbitos infantis, o que representou um indicador de 9,17 para cada mil nascidos vivos. Apesar de no ano passado estar naquilo que foi preconizado, o ideal é não termos morte alguma. Neste ano, este aumento preocupa e muito”, reforça o enfermeiro, ao afirmar que em todos os casos os protocolos são acompanhados detalhadamente.

Mortes maternas

As mortes maternas são outro ponto que preocupam. Na 20ª Regional de Toledo, um caso vem sendo investigado e na 10ª Regional de Cascavel uma morte já foi confirmada.

Capacitação

Na região de Toledo, onde os números da mortalidade infantil são mais preocupantes em se tratando de proporção por nascidos vivos, profissionais que atendem as gestantes e as crianças receberão uma capacitação hoje e amanhã. O encontro será na faculdade de Medicina, no câmpus de Toledo da UFPR, que fica às margens da PR-183, sentido a Palotina.

Participam médicos, enfermeiros, demais profissionais e acadêmicos que atuam na atenção primária, hospitais credenciados à rede Mãe Paranaense, hospitais municipais e filantrópicos e em pronto-atendimentos.

Segundo a diretora da 20ª Regional da Saúde, Nissandra Karsten, a capacitação ocorre graças à parceria com o curso de Medicina da UFPR (Universidade Federal do Paraná) e a Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná. O foco será na atuação frente às problemáticas relacionadas ao atendimento a gestantes e as crianças. “Os números estão muito elevados e precisamos mudar esta realidade. Na nossa regional a maioria das mortes têm como causa as malformações e afecções no período perinatal”, completou a diretora.