Capanema – Um dia após mais uma mobilização das famílias atingidas pela construção da Usina Hidrelétrica do Baixo Iguaçu pedindo a retomada das negociações de indenização, o Consórcio Empreendedor Baixo Iguaçu – responsável pela implantação e futura operação da usina – informou que não há data para o alagamento da usina. Até então, a expectativa era de que o alagamento ocorresse dia 15 deste mês.

Isso acontece por dois motivos: o pequeno atraso na finalização da barragem ocorrido por conta das constantes chuvas que atingiram a região e o fato de que o alagamento só será possível quando todas as negociações pendentes com os agricultores forem finalizadas.

De acordo com a assessoria, apenas acordos com as famílias da área de remanso é que estão pendentes.

Das 74 famílias dessa área, 30 finalizaram as negociações, restando 44 que estão em diálogo direto com a empresa, que analisa os casos de forma individual. O consórcio informou ainda que as negociações com todas as famílias da área atingida pelo reservatório e área de preservação permanente já foram concluídas.

Esses dados são contestados pelo MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens): “Temos mais de 150 famílias com situação pendente. Nós queremos diálogo para resolver a situação. Pedimos a suspensão dos processos judiciais relativos a desapropriações e indenizações para que as negociações sejam retomadas, com a supervisão do Ministério Público, do governo do Estado e do IAP [Instituto Ambiental do Paraná]”, afirma a agricultora e responsável pela comunicação do MAB, Lunéia de Souza.

Além disso, o Movimento quer a garantia de reassentamento coletivo das famílias e assistência técnica, assim como a garantia dos direitos previstos em acordos e condicionantes da obra caso as reivindicações não sejam atendidas pedem que a autorização para o enchimento do reservatório e a licença de operação sejam negados até que os direitos dos atingidos sejam garantidos.

O movimento tenta agendar para os próximos dias uma reunião com o consórcio e órgãos públicos envolvidos para discutir a situação.

Divergências

As informações do Consórcio e o IAP (Instituto ambiental do Paraná) sobre a situação são divergentes. O Instituto contradiz a informação do Consórcio sobre a finalização das negociações e afirma que na área do reservatório são menos de 15 famílias que estão ainda em negociação com o consórcio.

O IAP informou ainda que na área de remanso constam 70 imóveis, os quais não serão prejudicados na fase de enchimento do reservatório. Além disso, garantiu que o enchimento do reservatório será autorizado somente quando forem cumpridas todas as condicionantes que estão em fase de atendimento.