Cotidiano

Confira quinze destaques da 15ª edição do João Rock

RIBEIRÃO PRETO – Em sua edição comemorativa de 15 anos, o festival João Rock, em Ribeirão Preto, recebeu 50 mil pessoas no parque permanente de exposições da cidade. Com quatro palcos espalhados pelo terreno, o público pôde escolher entre 18 atrações, distribuídas por 12 horas de programação.
De nomes experientes como Paralamas do Sucesso, Ira! e Titãs a novidades como Far From Alaska e Scalene, passando pelo peso de Criolo e Planet Hemp, o evento ofereceu alguns momentos memoráveis. Separamos quinze deles:

1. O REENCONTRO

Marcelo D2, BNegão e Black Alien, principais compositores do Planet Hemp, voltaram a se apresentar juntos, 15 anos depois do último ter deixado a banda. Black Alien chegou, inclusive, a criticar a reunião do grupo, em 2012. Mas, segundo D2, eles resolveram “deixar as picuinhas de lado”. Sorte do público que estava atento e não foi ao bar ou ao banheiro quando o rapper niteroiense encerrou seu show, pouco antes da “ex-quadrilha da fumaça” se apresentar no palco ao lado.

2. PRESENÇA DE TULIPA

Em um line-up pobre em representatividade feminina, Tulipa Ruiz, convidada de Criolo no show que encerrou o festival, fez bonito ao apresentar para um público que, aparentemente, a desconhecia um pouco de seu alcance vocal e de sua força no palco. Primeiro, fez dobradinha com Criolo em “Cartão de visita”, que cantam juntos no álbum “Convoque seu Buda”, do rapper. Depois, dividiram “Só sei dançar com você”, do álbum de estreia de Tulipa, “Efêmera” (2010). Por último, sem Criolo, a cantora apresentou a carismática “Proporcional”, de “Dancê” (2015), seu mais recente disco.

3. SET POLÍTICO EM PARCERIA DE PARALAMAS E NAÇÃO

Repetindo a dobradinha que já tinha rolado em 2014, Palamas do Sucesso e Nação Zumbi dividiram o palco por cerca de 20 minutos, em que tocaram quatro músicas. Destas, duas faziam críticas à atuação policial – “O beco” e “Selvagem”. A recorrente “Que país é esse?” (que voltaria a ser executada no show da Legião Urbana XXX Anos) também mostrou o lado político do setlist, que teve ainda homenagem a Chico Science em “Manguetown”.

SET POLÍTICO EM PARCERIA DE PARALAMAS E NAÇÃO

4. FAR FROM ALASKA MOSTRA FORÇA

Uma das bandas a representar a nova geração do rock brasileiro no palco Fortalecendo a Cena, a potiguar Far From Alaska não fez feio, e conseguiu angariar cerca de 5 mil pessoas – mesmo com a concorrência dos hits do Paralamas do Sucesso. Com uma performance enérgica, a banda mostrou porque foi premiada como revelação na feira de música Midem, em Cannes, no começo do mês. Deu até para ouvir alguém comentar, com certa surpresa: “Que sonzeira, né, mano?”.

5. GERAÇÃO MAIS AFINADA

O Ira! tocou seus hits no palco 2002, que repetia a escalação da primeira edição do João Rock. Em certo momento, o guitarrista Edgard Scandurra brincou com a plateia majoritariamente jovem: “vocês são mais afinados do que seus pais”. Colou.

6. TONI VESTE KANYE

Antes do Ira!, o Cidade Negra tinha aberto o palco 2002, em mais um show estilo karaokê, com o público balançando as mãozinhas e cantando alto. Entre discursos a favor do amor, Toni Garrido chamou atenção também pela bela camisa colorida que usava. Na estampa, a cabeça do genial e genioso rapper americano Kanye West.

7. CREPÚSCULO ZUMBI

Quando subiu a um dos palcos principais do João Rock, às 17h30, a Nação Zumbi teve que lidar com um público ainda reduzido e morno, aquém da história da banda pernambucana, que teve posição de maior destaque no line up de 2014. Isso não atrapalhou a performance de Jorge Du Peixe e seus companheiros. Entre novas composições e grandes hits da época de Chico Science, eles ainda foram premiados com uma bela lua que já começava a brilhar no fim de tarde de Ribeirão Preto.

8. NA PONTA DA LÍNGUA

Liderada por Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, a Legião Urbana XXX Anos fez mais sucesso com o público. A teatralidade da performance do vocalista André Frateschi também chamou atenção, principalmente ao entoar a quase interminável “Faroeste caboclo”. O público acompanhou a banda em toda a letra de quase dez minutos. Rodando o Brasil há alguns meses, o projeto continua apenas até o fim do ano, segundo Dado. Como ponto negativo, a quase total ausência de citações a Renato Russo na apresentação.

9. BOWIE HOMENAGEADO

Morto em janeiro, David Bowie segue recebendo homenagens pelo mundo. No João Rock, a Legião Urbana XXX Anos tocou “Heroes”. Mais cedo, a Nação Zumbi já tinha feito sua versão de “China girl”.

10. ‘DREAM TEAM’ DO NOVO ROCK BRASILEIRO

Em certo momento do show do Far From Alaska, a banda convidou Leonardo Ramos, do Supercombo, para participar de uma música. Depois, aproveitou e convocou o restante da banda, que demorou a aparecer. Foi a canção começar que o palco foi tomado por integrantes de Scalene, Dona Cislene e Supercombo, que se apresentariam no Fortalecendo a Cena mais tarde. A cena se fortalece na base da união.

11. TIMIDEZ POLÍTICA

Apesar do line up repleto de bandas que costumam se posicionar politicamente em seus shows, o João Rock teve poucos discursos sobre a situação do país. Da parte do público também. Só foi possível ouvir um tímido “Fora, Temer!” no fim da apresentação de Paralamas do Sucesso com Nação Zumbi.

12. CULTURA PROFÉTICA

O Natiruts aproveitou o espaço e o ótimo público para homenagear a banda porto-riquenha Cultura Profética, chamada de “a maior banda de reggae da América Latina espanhola” pelo vocalista Alexandre Carlo. Anunciada pela produção horas antes do show, a dobradinha com a Cidade Negra acabou não saindo do papel.

13. LIBRA ANIMADA

O show solo de Black Alien reservou um destaque do festival: a utilização de um profissional que fazia tradução simultânea das letras do rapper para a linguagem brasileira de sinais – iniciativa do próprio artista. Fabiano Esteves, o escolhido para a missão, teve que rebolar (literalmente) para traduzir versos complexos como “depende do Ecad, depende do green card”, de “Hell do céu”.

14. PREMIUM GIRATÓRIA

Meio paradona ao longo do dia, a pista premium finalmente se aqueceu durante o show do Planet Hemp, um dos mais empolgantes do festival. Rolou até rodinha punk, deixando a turma que queria ficar sossegada de nariz torto. Nada comparado às gigantescas rodinhas que a turma da pista normal promoveu, claro.

15. CURTO E DIRETO

Em um line-up quase nostálgico, o rapper Criolo encerrou a programação para um público muito participativo soando como um sopro de novidade. O paulista deixou a turnê intimista do relançamento de “Ainda há tempo” de lado e apostou em sua big band e nas participações certeiras do amigo Rael e, principalmente, da cantora Tulipa Ruiz. Mais animado do que de costume, Criolo também aproveitou o espaço para levantar bandeiras contra o machismo, a homofobia, e apoiar a ocupação de escolas e centros culturais pelo país, em um show curto para um headliner (cerca de 1h20min), mas que justificou o upgrade em relação à edição do ano passado, quando abriu o festival.

Curto e direto

* Luccas Oliveira viajou a convite do festival