Cotidiano

Colégio público que quase foi demolido tem melhor nota no Ideb

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RIO ? Foi com gritos de alegria que a diretora da Escola Municipal Friedenreich,
Sandra Russomano, recebeu a notícia de que a instituição tinha registrado o
melhor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre as escolas
públicas da cidade nos anos iniciais do ensino fundamental (4° e 5° ano). A
unidade, localizada no complexo do Maracanã, quase foi demolida em 2013 para dar
lugar a instalações de apoio para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.

A proposta era derrubar a escola do entorno do estádio e
reconstruí-la no terreno de uma outra escola municipal, a cerca de um quilômetro
da atual localização. Depois de muitos protestos dos pais dos alunos e de uma
campanha que mobilizou a cidade, a decisão foi revogada.

? Nós passamos por um momento muito complicado, tivemos
um baque muito grande quando recebemos a notícia de que nós teríamos que sair.
Foi uma luta muita grande que a escola e os pais tiveram que travar para
continuar aqui ? relembra Sandra, que está há 12 anos na direção da escola e há
30 como professora.

De acordo com os dados divulgados ontem pelo Ministério da Educação (MEC), a
escola obteve nota 8,3, ultrapassando instituições de referência, como o
CAP-Uerj e o Colégio Pedro II – unidade Humaitá. O desempenho da escola vem
crescendo a cada ano em que o Ideb foi aplicado, só apresentou uma leve baixa em
2013 quando passou da nota 7,6, em 2011, para 7,5.

? Fomos surpreendidos de novo quando o prefeito assinou o decreto para tombar
a escola, para que ela permanecesse aqui. Mesmo naquela época nós continuamos
sendo a primeira escola da 2ª Coordenadoria Regional de Educação e, se você
olhar os resultados do Ideb, a gente tem mantido um crescimento ao longo desses
anos todos ? comemora Sandra.

Inaugurada em 28 de setembro de 1965, a unidade recebeu esse nome em
homenagem ao jogador de futebol Arthur Friedenreich, craque dos anos 1930. Hoje
a escola tem 344 alunos matriculados ? desde a educação infantil, a partir dos 5
anos de idade, até o 6° ano do ensino fundamental experimental ? e funciona em
dois turnos de 4 horas e meia. A unidade tem ainda 23 alunos com necessidades
especiais matriculados.

? Não fazemos distinção entre os alunos, e nesse último
Ideb tivemos 100% de frequência, inclusive os portadores de necessidades
especiais fizeram as avaliações nos dois dias. Fizemos uma campanha muito grande
para os alunos não faltarem ? conta.

Outro diferencial da Friedenreich é o incentivo à
leitura. A escola procura convidar periodicamente autores para conversar com as
crianças, além de promover uma ciranda de livros entre os alunos. O colégio não
tem professor de apoio e, de acordo com a diretora, a taxa de repetência no ano
passado foi de 1%.

? Esse contato direto com o autor é muito especial para
eles e valoriza ainda mais o trabalho de incentivo à leitura. Quanto mais a
criança lê, mais ela desenvolve o raciocínio. Fazemos um trabalho contínuo em
parceria com toda a equipe, desde a educação infantil. Estamos sempre juntos nas
dificuldades que a escola tem, não existe um trabalho individualizado de uma
professora.

Sandra também ressalta a importância da participação dos pais, muitos deles
ex-alunos da escola, para o bom rendimento dos alunos da unidade:

? A criança sozinha não funciona. Para uma escola dar
certo, acredito ser necessário um trabalho em conjunto. A família tem que estar
junto o tempo todo para que o aluno possa ter um bom desempenho. O segredo da
escola Friedenreich é o grupo: são os professores, é a comunidade e são os
alunos. Um diretor, um diretor adjunto, um professor sozinho, ninguém por sua
conta constrói nada.