POLICIAL

Carli Filho é condenado à prisão por duplo homicídio

01 de março de 2018 às 07:57
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Curitiba – O ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho foi condenado ontem por duplo homicídio com dolo eventual, no Tribunal do Júri, em Curitiba. A pena calculada pelo juiz Daniel Avelar é de nove anos e quatro meses de prisão. Apesar da condenação, Carli não será preso, porque pode recorrer em liberdade.

A decisão foi tomada pelo Conselho de Sentença do Tribunal do Júri, formado por sete pessoas da sociedade civil, escolhidas por sorteio em um grupo de 25, previamente convocadas pela Justiça. A deliberação demorou cerca de uma hora.

O julgamento teve início na terça-feira. O ponto alto foi o depoimento de Ribas Carli, no fim da noite de terça, quando ele se disse arrependido e falou que “eles não saíram para morrer, mas eu não saí para matar”.

O acidente aconteceu na madrugada de 7 maio de 2009, quando morreram Gilmar Rafael Yared (26 anos) e Carlos Murilo de Almeida (20 anos).

Ribas Carli disse que jamais teve a intenção de matar. Ao responder a uma das perguntas do juiz, dirigiu-se às mães dos dois rapazes com a voz embargada e pediu desculpas: “Eu sei que eu nunca tive a oportunidade de pedir desculpa para a dona Christiane e para a dona Vera. Quero hoje poder pedir desculpas pelo que eu causei”.

Mudança no País

Christiane Yared, mãe Gilmar Rafael Yared, uma das vítimas no acidente causado pelo ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho, disse na saída do julgamento ontem que a pena de 9 anos e quatro meses não é o mais importante. "O que importa é a mudança que esse julgamento gera. A Justiça está compreendendo que a morte no trânsito causada por alta velocidade e embriaguez é um golpe", disse ela, emocionada. "Não importa a pena, a pena dele um dia acaba. A pena tem tempo de validade, a minha não tem”.

Ela disse que o Brasil precisa mudar seu comportamento: "Não adianta leis rígidas de trânsito se o comportamento das pessoas não mudar. Esse julgamento é uma conquista das famílias que não querem mais que o Brasil seja o país da impunidade". Ela avisou que a luta continua: "Minha vontade era abraçar meu filho e dizer que a mãe vai continuar lutando por um trânsito seguro".

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