Até quando?

Por Carla Hachmann

Desde o advento da força-tarefa da Lava Jato até as últimas eleições, corrupção é um tema recorrente nas redes sociais, nos discursos políticos e até nas rodas de bar. O problema é tão maior que todos pensam que parece um buraco negro, algo sem um fim.

Olhe só. O TCU (Tribunal de Contas da União) encontrou 52.636 indícios de irregularidades no gasto de pessoal de órgãos da administração pública federal nos meses de março a setembro do ano passado.

A fiscalização ocorreu em 798 unidades jurisdicionadas do Judiciário, do Legislativo, do Ministério Público da União, das Forças Armadas, do Banco Central e de empresas estatais.

Desses, 17.168 indícios foram corrigidos e resultaram em ganhos para os cofres públicos (ou seja, estavam indevidos aos servidores). Os 34.468 restantes ainda não foram esclarecidos pelos gestores responsáveis, destaca o TCU.

Dez órgãos somam 64% dos problemas detectados e deverão apresentar, em até 60 dias, plano de ação para solucionar as pendências.

O conceito de corrupção ainda é muito grotesco. A maioria imagina aqueles bunkers com milhões de dólares. Fora disso, é “jeitinho”. Mas, quando alguém adultera uma nota de compensação de despesa, tenta cobrar por algo fora do expediente, faz algum ajuste fora do legal, é corrupção. Não importa se o valor envolvido seja centavos. É errado! O dinheiro é público mas não é nosso.

Entre os indícios de irregularidades que o TCU encontrou constam pagamento a pensionista já falecido, servidor ativo com mais de 75 anos, servidor falecido recebendo remuneração, pessoas proibidas de assumir cargos públicos, auxílio-alimentação pago em duplicidade, entre tantos outros. Detalhe: tudo registrado, como se fosse legal. Por essas e outras que nunca há dinheiro para o essencial.

 



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